| Tolerância.
Ah... como é difícil colocar em prática a essência
dessa palavra.
Por que é tão difícil tolerar que alguém
entre na frente de nosso carro no trânsito? Por que é tão
difícil tolerar quando alguém comete um engano? Tolerar as características
de quem convive conosco. Tolerar um atraso. Um esquecimento. Um erro. Tolerar
as diferenças. Tolerar as frustrações. Tolerar as falhas
humanas. Tolerar a nós mesmos.
Pense nisso por um instante. Pense
na sua intolerância. Se não souber do que estou falando, preste atenção
naquelas vezes em que uma mínima ação do outro despertou
um monstro assassino em você. Algo tem que estar errado nisso! Será
que a ação do outro era assim tão grave? Muitos de nós
parecemos bombas-relógio prestes a explodir. Por onde andamos somos perseguidos
por um tique-taque infernal, o que me faz lembrar do Capitão Gancho. Só
que, diferente daquele homem barbudo, "horrível e mau", nos identificamos
com os "mocinhos". (Você já pensou que talvez o Capitão
Gancho também achasse que Peter Pan fosse o vilão da estória?).
Vou lhe dizer uma coisa. Dói muito quando percebemos que carregamos
um vilão dentro de nós. Dói perceber que agredimos e ferimos
aos outros porque somos ignorantes ao nosso próprio respeito. Dói
perceber que temos uma dificuldade enorme em olhar para o espelho e ver o reflexo
do monstro adormecido dentro de nós.
Mas enquanto não formos
corajosos o suficiente para fazer isso, continuaremos por aí agindo como
granadas humanas. Basta que alguém distraído puxe o tal pininho
e... bummmmmm... explodimos! E justificamos a explosão com uma elaborada
rede de argumentos racionalmente plausíveis. A nossa mente pode justificar
qualquer coisa, até mesmo uma explosão. E, na distorcida lógica
da mente, a culpa é sempre do outro. Para que você seja capaz
de ter tolerância, é preciso ir além da mente. É preciso
que você recupere o acesso ao seu coração. Anda faltando amor
em nossas vidas.
Eu convido você a exercitar essa palavra em sua
vida.
- Tolerar quando alguém intolerante "esquece a mão
na buzina", porque você se distraiu e perdeu o tempo do semáforo.
- Tolerar quando perceber que alguém que você ama está
irritado. - Tolerar seu próprio mau humor e se lembrar que todos acordam
mau humorados de vez em quando.
Não quero propor nesse artigo que
você tolere abusos ou atos agressivos contra você ou alguém.
É claro que muitas coisas não devem ser toleradas e eu conto aqui
com o seu bom senso.
Mas o que eu penso é que, de verdade, andamos
intolerantes demais! Basta uma atitude do outro ("interpretada" por
nós como provocativa) e já nos perdemos de nós mesmos e entramos
naquela mesma sintonia destrituva. É disso que estou falando. Da nossa
incapacidade de nos mantermos em uma sintonia de paz. Da nossa incapacidade de
compreender que algumas coisas não nos pertencem.
Ouça: A
irritação do outro não lhe pertence! A agressividade do outro
não lhe pertence.
Por que nos conectarmos com o que não
é nosso? Deixe com o outro o que é do outro. Você não
precisa entrar na mesma sintonia. Isso tem a ver com tolerância.
Ao
praticar a tolerância, talvez você comece a semear paz ao seu redor.
Talvez isso comece como um pequeno jardim, pequenas flores brancas surgindo aqui
e ali... mas não despreze seu potencial transformador. Perceba que todos
nós somos como prismas multifacetados. Ao praticar a tolerância você
estará emitindo inúmeros reflexos dessa qualidade ao seu redor e
então, quase magicamente, talvez você comece a perceber que as pessoas
à sua volta começam a se tornar tolerantes também. E assim
se cria um espaço no qual se estabelecem relações mais respeitosas
e harmoniosas.
Acredite. Você precisa muito de paz. Meu convite:
exercite a tolerância. Nem que seja só por uma hora... Depois vá
expandindo. Um dia... uma semana.
Observe as transformações
que esse simples exercício pode efetuar em sua vida!
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