| O ser humano gasta grande parte das
vinte e quatro horas dos dias da sua vida, exercendo atividades que estão
ligadas diretamente com sua sobrevivência. Está longe de
tornar-se prática diária, o preceito de que oito horas são
para o repouso, oito para o lazer e oito para o trabalho.
| "Existem empresas que
têm a política de valorizar o trabalhador mais velho.
Os idosos que se mantêm no trabalho são capazes de reestruturar
sua hierarquia de metas, sabem evitar envolvimento com altas exigências,
selecionam aquilo que acreditam ser mais significativo, são
mais capazes de aprender a racionalizar o uso do tempo e de delegar
responsabilidades" |
Trabalho associa-se a significados como
alimento, movimento, produção, criatividade, subsistência,
como também a ações que significam dor, fome,
sofrimento, inação. |
Ou seja, na mesma palavra trabalho, podemos encontrar duas significações:
a de realizar uma obra que nos expresse, que dê reconhecimento social
e permaneça além da nossa vida; e a de esforço rotineiro
e repetitivo, sem liberdade, de resultado consumível e incômodo.
Os renascentistas já concebiam o trabalho como um estímulo
para o desenvolvimento do homem representando a expressão de sua
personalidade e individualidade. O homem sempre foi visto como um ser
capaz de realizar e criar algo a partir da atividade desempenhada, por
isso o trabalho é considerado a melhor maneira de preencher a vida.
Durante o curso de vida, nossa produtividade no trabalho sofre impacto
do efeito do envelhecimento, isto é, o efeito do envelhecimento
biológico influencia nas capacidades de desenvolver um trabalho
de forma satisfatória e o mesmo ocorre com o efeito das condições
de trabalho no processo de envelhecimento. Ou seja, a diminuição
das habilidades funcionais e o aumento da vulnerabilidade são observados
com o processo de envelhecimento.
A longo prazo os efeitos das condições de trabalho são
portanto detectados somente com muitos anos de exposição.
E é muito difícil distinguir entre aqueles efeitos de envelhecimento
que são um resultado de transtornos e doenças relacionadas
à idade e que são específicos para o envelhecimento,
daqueles que aumentam devido às condições do trabalho.
As condições de trabalho podem, sim, atuar nos fatores do
envelhecimento, dependendo do período que atuam e da vulnerabilidade
do indivíduo no momento.
Ou seja, esses problemas podem agravar-se numa pessoa em péssimas
condições de trabalho e já com fator de risco por
algum problema de saúde. Daí a importância de buscarmos
uma boa qualidade de vida no trabalho ao longo da vida. E isso depende
não só das boas condições de trabalho, como
também da responsabilidade em buscar uma velhice com baixo risco
para doenças e com satisfação e engajamento ativo
na vida.
E possível envelhecer bem no trabalho na medida que possamos eliminar
os estereótipos negativos da velhice, que identificam a velhice
como doença, com incapacidade e com tendência à rigidez
e ao afastamento social. Muitas das crenças sociais sobre a perda
de capacidades físicas, mentais, motivacionais e sociais decorrentes
do envelhecimento não passam de mitos.
Valorização do trabalhador mais velho
Empresas e organizações geram diferentes conceitos quanto
aos limites do trabalhador e às avaliações do trabalhador
mais velho. Em empresas onde os procedimentos de trabalho permanecem inalterados
por períodos mais longos, ou naquelas que precisam investir numa
imagem conservadora das tradições, os trabalhadores mais
velhos são mais valorizados.
O fato de os trabalhadores mais velhos serem eficientes em muitas atividades
que requerem persistência, precisão, experiência, capacidade
de solução de problemas práticos, pontualidade, assiduidade
e cuidado, bem como o fato de mostrarem flexíveis e motivados a
enfrentar desafios, desmentem muitos dos estereótipos correntes
sobre o envelhecimento.
Estudos têm mostrado que muitos adultos são capazes de adaptar-se
às mudanças tecnológicas. A permanência de
pessoas idosas no trabalho é sinal de que elas são sensíveis
ao treino e capazes de generalização de novas aprendizagens.
Um envelhecimento e uma velhice bem-sucedidos depende da continuidade
de boas condições de saúde, de atividade e de envolvimento
na vida pessoal e no trabalho, o que se traduz em vida ativa e produtiva,
contribuindo para a otimização das competências que
se tem. E está aumentando a participação dos adultos
mais velhos no mercado de trabalho. Empresas e organizações
devem antecipar às mudanças que ainda estão por vir,
para que consigam alterações relevantes ao progresso delas
próprias e ao bem-estar dos trabalhadores.
Estratégias
Trabalhadores mais velhos que apresentem riscos para perda do emprego,
devido à competição dos mais jovens ou porque têm
dificuldade em alguma tarefa, podem desenvolver estratégias para
adaptar-se e manter o emprego e a auto-estima. Os idosos que se mantêm
no trabalho são capazes de reestruturar sua hierarquia de metas,
sabem evitar envolvimento com altas exigências, selecionam aquilo
que acreditam ser mais significativo, são mais capazes de aprender
a racionalizar o uso do tempo, a delegar responsabilidades, a adotar um
estilo participante de administração e a administrar a própria
imagem pessoal. Por outro lado, o trabalho também tem seu papel
para favorecer um bom envelhecimento no trabalho.
As empresas devem pensar no planejamento de tarefas, operações,
ambientes de trabalho, equipamentos e máquinas adequadas às
capacidades, às limitações e aos desejos das pessoas,
com vistas ao aperfeiçoamento do seu desempenho, e à redução
de perdas e desconfortos resultantes de acidentes, danos e doenças.
Para tanto, existe a Gerontecnologia, que significa o estudo do envelhecimento
e das tecnologias que facilitam o autocuidado, o manejo da vida e do trabalho
pelas pessoas mais velhas.
Assim, dependendo de condições motivacionais, educacionais
e ergonômicas e da estruturação do ambiente organizacional,
os trabalhadores mais velhos podem manter níveis de funcionamento
satisfatório compatíveis com as exigências do mundo
do trabalho. Se os idosos tiverem as oportunidades de se expor a condições
sociais e culturais adequadas no ambiente de trabalho, eles podem tornar-se
especialistas em uma tarefa e desempenhar importante papel na socialização
de novos trabalhadores e na transmissão dos conhecimentos e valores
corporativos. A educação é o principal fator que
faz o indivíduo superar problemas de desigualdade no acesso aos
bens e às oportunidades sociais, incluindo o direito ao trabalho
digno e a uma velhice produtiva e competente.
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