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Por que Cho Seung-Hu cometeu massacre nos EUA? | |||||
| por Joel Rennó Jr. | |||||
| Massacre
nos EUA é motivado por vários fatores, entre eles: sentimento de
rejeição, baixa auto-estima, estresse... Acredito que cada ato de violência tenha as suas especificidades e particularidades. Não há regras, generalizações podem induzir a erros de julgamento. Alguns culpam, exclusivamente, os fatores sociais e culturais de um determinado país, além da própria oferta indiscriminada de armamentos. Levando-se em conta a maior freqüência de tais atos nos EUA (com livre oferta de armas), com certeza, há uma predisposição. Até pela mensagem subliminar de uma violência justificável dentro de alguns preceitos ético-morais questionáveis (e que podem ser mal interpretados por jovens frágeis psiquicamente). Mas, não podemos nos esquecer das outras formas de violência (física, sexual, moral) e até crueldade que podem permear o universo jovem em todas as partes do mundo. Embora tais fatores possam ter um papel facilitador e influenciador, sem um conhecimento prévio do psiquismo das pessoas envolvidas, em tais assassinatos, fica difícil se fazer generalizações. Os dados disponíveis, até o momento sobre esse jovem coreano, são muito limitados. Portanto, tudo fica no campo das hipóteses apenas. A
pressão massacrante por um destaque social, dentro de um mundo capitalista
e consumista (onde apenas o primeiro colocado é valorizado), sem dúvida,
pode levar ao estresse de diversos jovens, em uma cultura que valoriza o sucesso
e status material como fonte única de felicidade e prazer. Não é segredo para ninguém a necessidade do apoio da família (inclua-se toda a sociedade), na valorização de padrões saudáveis de comportamentos individualmente estabelecidos (com base nos próprios referenciais pessoais) em detrimento dos coletivos impostos de forma superficial (como ser feliz, como conquistar o afeto das pessoas, qual é o corpo mais bonito dentro dos padrões sociais, o sucesso do vencedor guerreiro no mundo capitalista, etc). Jovens excessivamente tímidos, isolados, tristes, com sentimentos de frustração e rejeição, de alguma forma, por serem constantemente segregados, podem querer se suicidar ou cometer assassinatos coletivos como forma "digna" ou "heróica" de encerrar a sua existência no universo de vida que eles julgam ser medíocre.
O limiar entre o imaginário e o concreto pode ser mais tênue do que nós imaginamos nos jovens. Na prática, a discriminação e eventuais humilhações que tais pessoas vulneráveis sofrem podem levá-los a atos insanos, quando predispostos psicologicamente. Por isso sempre fortaleço a visão de que familiares e profissionais devem ficar mais atentos aos sinais e sintomas psíquicos que podem ser um indício da propensão de um jovem cometer um ato de auto ou heteroagressividade. É a psicoprofilaxia que deveria ser realizada em todos os meios sociais, inclusive, nas escolas. E os políticos investirem mais, sem dúvida. É nítida a melhora de tais jovens quando fazem um trabalho de psicoterapia séria e regular, além do uso de "estabilizadores de humor" e antidepressivos quando o diagnóstico psiquiátrico justifica. O universo de vida deles se amplia (com outras válidas opções de felicidade), sendo reconstruído dentro de parâmetros e valores resignificados positivamente. Não quero que fique, por parte de vocês, a interpretação e dedução de que os transtornos mentais predisponham à violência. Isso não é verdade, felizmente, na maior parte dos acontecimentos. Já há discriminação demais da sociedade com relação aos pacientes que sofrem de transtornos mentais. Porém, não podemos ignorar que algumas fragilidades psíquicas sérias, não detectadas e acompanhadas, possam, com a colaboração da própria sociedade e cultura, predispor tais jovens a atos criminosos que deixam o mundo perplexo. Toda
a sociedade precisa repensar os valores que são disseminados na nossa sociedade
atual. Alguns adolescentes me relatam que se sentem na obrigação
de "vencer ou morrer". Relatam-me que o mundo só é bom
com os "vencedores", independentemente dos recursos utilizados para
tal. Conseguem observar, dentro do período de transição,
caminhos muito restritos e rígidos que precisam da ajuda de "guias"
experientes, constituídos de pais, amigos, professores e profissionais.
Tais cognições distorcidas precisam ser retificadas. E oferecendo,
é claro, ajuda médica e psicológica efetiva aos que delas
necessitarem. O assunto é, portanto, complexo por ser multifatorial. | |||||
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