Vaidade como vício
Reflita e desvende os mecanismos da vaidade no seu dia a dia
A vaidade está presente em toda ação humana
por Flávio Gikovate


“Por volta dos sete ou oitos anos de idade, já experimentamos a grande sensação de prazer e vício provocados pela vaidade”

O renomado psiquiatra Dr. Flávio Gikovate estreia no Vya Estelar a coluna Vaidade como vício, baseada em seu livro sobre o assunto: Vícios dos Vícios – Um estudo sobre a vaidade humana.

Formado em psiquiatria pela USP em 1966, 45 anos de carreira, o médico traz em seu currículo 30 livros publicados, que ultrapassam o milhão de exemplares vendidos e já atendeu uma extensa lista que conta com mais de oito mil pacientes.

Gikovate afirma que a vaidade está presente em toda ação humana e em todas as fases da vida. E essa já se torna um vício adquirido lá na infância.

Vaidade: grande sensação de prazer

Por volta dos sete ou oitos anos de idade, já experimentamos a grande sensação de prazer e vício provocados pela vaidade. “Esse prazer é de natureza efêmera e se estende a tudo o que nos pertence e assim precisamos de novas coisas para que essa sensação se repita”, explica.

“Quando uma criança ganha uma correntinha de ouro com a imagem de um santo, a sensação que ela tem ao colocar o objeto sobre o seu corpo, é de natureza erótica. Ela se sente diferente... excitada: uma sensação de nervosismo percebida como agradável. Ela se sente por alguns minutos especial, única. Não sossega enquanto não mostrar sua nova propriedade – ou nova sensação? - a todos. Se sente gratificada e reforçada na sensação de extravagância, a cada olhar de admiração e em cada expressão de elogio. Isso é vaidade.

A sensação erótica se expressa mesmo quando se pendura no pescoço a imagem do santo mais austero; não deixa de ser curiosa a aparente contradição. Mas o que desperta a excitação é a coisa nova; é o possuir uma joia. Depois de um tempo, a criança se acostuma com o colar e não sente mais nada de especial.”

Este pequeno prólogo é apenas para mostrar como um ato aparentemente banal traz em si uma grande carga (vibração!) de vaidade: vício que fomenta boa parte das ações do ser humano ao longo da história.

Vaidade e cotidiano

Podemos não perceber, mas a vaidade está presente em diversos momentos. Como por exemplo:

- no relacionamento amoroso;

- no sexo;

- no trabalho;

- na inveja;

- na razão;

- na moral;

- na puberdade e por aí afora...

Nesta coluna o psiquiatra Flávio Gikovate vai pincelar os principais matizes dessa infinita paleta de cores que a vaidade pode desenhar em nossas ações no dia a dia.

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Flávio Gikovate
é psiquiatra, escritor e palestrante
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