| "Os
resultados mostraram que o alimento à base de soja foi eficaz em
aliviar sintomas como ondas de calor (redução de 65,4%)
e problemas musculares e articulares (redução de 40%), produzindo
também uma melhora significante na secura vaginal. Os mesmos resultados
ocorreram com o uso da TH, quando comparada com o uso de placebo"
A menopausa é considerada um dos eventos mais
perturbadores da vida da mulher, pois marca a linha divisória da
fertilidade, além de ser cercado de muitas dúvidas e inseguranças.
São anos muitas vezes difíceis de medo, culpa, autopiedade,
baixa auto-estima e, principalmente, falta de informação
ou informação inadequada que geram mais dúvidas e
confusões.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde,
estima-se que em 2030, cerca de 1,2 bilhões de mulheres terão
mais de 50 anos, um número três vezes maior do que em 1990.
Dessa forma, o acesso às informações referentes à
menopausa é de extrema importância, já que por conta
do aumento da expectativa de vida, admite-se atualmente que a maioria
das mulheres deverá viver um terço de suas vidas em estado
de deficiência estrogênica, ou seja, em menopausa.
| Em sua fase inicial, 75% das mulheres sofrem
algum tipo de experiência relacionada à falta de estrogênio,
como ondas de calor, incontinência urinária, ressecamento
da pele e secura vaginal. Também são relatados freqüentemente
casos de irritabilidade, perda de concentração e da
libido e depressão. Em cerca de 30% das mulheres os sintomas
são severos. |
A longo prazo, o déficit hormonal está
relacionado ao aumento de doenças cardiovasculares, osteoporose
e doenças cognitivas e demências, como o Mal de Alzheimer.
Para superar os sintomas indesejáveis e o risco acentuado de certas
doenças, é fundamental que todas as mulheres tenham consciência
da importância da adoção de um estilo de vida equilibrado
que envolve uma alimentação balanceada, exercícios
físicos regulares, manutenção de um peso adequado
e restrição do álcool e fumo. Todas essas medidas
auxiliam no bem-estar geral e dão tranqüilidade, disposição
e saúde para encarar mais 30, 40 anos de vida pela frente.
Terapias alternativas estão em evidência
O tratamento mais comum para os sintomas do climatério é
a terapia hormonal (TH), que inclui diferentes combinações
de hormônios em diferentes vias de administração e
diferentes dosagens.
A TH apresenta aceitação multidisciplinar e avanços
técnicos de relevância a cada ano no que diz respeito aos
aspectos farmacológicos e clínicos, mas apesar dos benefícios,
estudos estimam que somente 10% a 35% das mulheres na fase de pós-menopausa
fazem uso dessa terapia e metade daquelas que iniciam a TH interrompem
o tratamento no período de um ano. As causas mais citadas são
sangramento irregular, medo de câncer ou doença tromboembólica
e ganho de peso.
Um estudo recente publicado na revista Climateric (2008) com
230 participantes mostrou que 70% das mulheres que optaram por tratamentos
alternativos no climatério ao invés da TH, o fizeram por
medo do desenvolvimento do câncer.
A publicação do estudo Women Health’s Initiative
(WHI - 2002) foi divisor de águas do curso de terapia hormonal,
fazendo com que suscitassem pesquisas no campo da terapia hormonal tradicional
e abrisse mais espaço para estudos sobre tratamentos alternativos
para alívio dos sintomas do climatério. A pesquisa que avaliou
mais de 27.000 mulheres menopausadas durante 5,2 anos mostrou um aumento
significativo do risco de câncer de mama, infarto do miocárdio,
acidente vascular cerebral e tromboembolismo venoso. De outra parte, mostrou
que ocorreu diminuição do risco de fraturas do quadril e
de câncer colo-retal.
Após a publicação do estudo WHI muitos médicos
passaram a reconsiderar o uso da TH para alívio dos sintomas vasomotores
(ondas de calor, suores, fogachos). O número de prescrições
nos EUA diminuiu de 91 milhões em 2001, para 57 milhões
em 2003. Um estudo realizado com ginecologistas no estado de São
Paulo e publicado na revista Maturitas em 2007, mostrou que a prescrição
de TH decresceu em 25,2% e que aproximadamente 46% dos ginecologistas
começaram a prescrever isoflavonas, tranqüilizantes e outras
alternativas naturais para os sintomas do climatério.
Diante desse quadro, a procura por tratamentos alternativos e não-hormonais,
tanto no Brasil quanto no mundo tornou-se cada vez mais crescente. Dentre
as opções, a soja e suas isoflavonas têm sido uma
das terapias alternativas mais procuradas e estudadas.
Estudo da Unicamp traz esperança para mulheres que não
podem fazer TH
A pesquisa realizada com rigoroso critério científico pelo
médico Lucio Carmignani, com a orientação da ginecologista
Adriana Orcesi Pedro, do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade
de Ciências Médicas da Unicamp – Campinas – foi
finalizada este ano e comparou os efeitos da ingestão diária
de um alimento à base de soja com o uso de terapia hormonal (TH)
de baixa dosagem e placebo sobre os sintomas menopausais psicológicos,
somáticos e urogenitais em mulheres na pós-menopausa.
Foram triadas 1520 mulheres, das quais 60 foram selecionadas para participar
do estudo. Elas apresentavam idade entre 40 e 60 anos, tempo médio
de menopausa de 4,1 anos e foram divididas em três grupos: um grupo
recebeu o alimento à base de soja (90mg de isoflavonas e 24g de
proteína de soja - Previna®), outro grupo recebeu terapia hormonal
de baixa dosagem (1mg estradiol e 0,5mg de acetato de noretisterona -
Activelle®) e um grupo controle recebeu placebo (maltodextrina). A
pesquisa foi conduzida por um período de 16 semanas.
Os resultados mostraram que o alimento à base de soja foi eficaz
em aliviar sintomas como ondas de calor (redução de 65,4%)
e problemas musculares e articulares (redução de 40%), produzindo
também uma melhora significante na secura vaginal. Os mesmos resultados
ocorreram com o uso da TH, quando comparada com o uso de placebo. Os autores
do estudo chegaram à conclusão de que o alimento avaliado
pode ser uma boa opção para muitas mulheres que decidem
não utilizar a TH para o controle dos sintomas relacionados à
menopausa.
Os resultados do estudo que já foram apresentados em Madrid no
12th World Congress on the Menopause e no 19º Encontro
Anual da Sociedade Norte Americana de Menopausa, que aconteceu em
setembro em Orlando, nos Estados Unidos.
O alimento estudado foi desenvolvido no Brasil
O alimento utilizado no estudo da Unicamp foi desenvolvido por uma equipe
de especialistas em Nutrição com a minha assessoria científica.
Trata-se de um composto concentrado à base de isolado protéico
de soja, rico em isoflavonas e proteínas, enriquecido com cálcio.
Mais
informações: www.jocelemsalgado.com.br
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