| "Um dos exemplos mais
evidentes de como a mente pode afetar os sintomas físicos está
no efeito placebo" |
Quando encontramos um problema como uma angina no
peito, buscamos todos os recursos médicos disponíveis
para tratar do problema, mas será que iremos buscar uma psicoterapia,
uma orientação quanto a um melhor estilo de vida ou
até mesmo pensar em ir a aulas de yoga na academia? |
Qual a relação entre uma mudança na atitude mental
e um sintoma físico como a dor no peito?
Bem, um exemplo, que pode ser citado mesmo pela pessoa mais leiga, é
o efeito do estresse sobre a saúde física.
Como ocorre o efeito do estresse sobre a saúde física?
No cérebro quando uma situação é interpretada
como estressante, há o disparo de dois eixos importantes: hipotálamo-hipófise-córtex
da adrenal e o sistema simpático-medula da adrenal que podem nos
ajudar a entender o que está acontecendo.
Quando o primeiro eixo é estimulado o hipotálamo produz
o fator liberador da corticotropina que estimula a hipófise a produzir
a corticotropina. Esse hormônio irá estimular, através
do sangue, o córtex da adrenal (uma glândula situada acima
do rim), a produzir glicocorticóides, sendo o mais importante deles
nesta situação, o cortisol. Esse apresenta várias
funções protetivas contra o estresse agudo, uma das mais
importantes é aumentar a quantidade de glicose disponível
no sangue, que permitirá as células gerar mais energia para
enfrentar a situação.
A adrenal é uma glândula que apresenta duas regiões
distintas, o córtex (a borda) e a medula (o meio). O cortisol é
considerado o grande vilão quando se fala dos efeitos deletérios
do estresse, mas a verdade é que em termos de curto prazo, seus
efeitos são benéficos, protegendo-o contra um estresse agudo,
como dito acima.
O segundo eixo, desencadeado pela ativação da divisão
simpática do sistema nervoso autônomo leva à produção
de adrenalina e noradrenalina (catecolaminas), responsáveis pela
resposta do organismo em termos de alerta ou prontidão para lutar
ou fugir (a famosa resposta denominada pelo fisiologista Walter Cannon,
professor da Universidade de Harvard, de “luta ou fuga”).
Novamente o efeito agudo é benéfico e necessário
à nossa sobrevivência, pois nos deixa prontos para decidir
entre lutar contra a situação adversa ou simplesmente fugir.
Estresse: Quando começa o problema?
O problema começa quando esses dois eixos são cronicamente
ativados: nesses casos, o cortisol e as catecolaminas são cronicamente
produzidos e conduzem a uma redução da resposta imunológica
afetando a produção de células desse sistema como
as citocinas. Pode ocorrer, por exemplo, o aumento de citocinas pró-inflamatórias
como a IL-6 e a TNF-a que estão relacionadas à origem de
problemas cardiovasculares, artrite, diabetes tipo 2 e alguns tipos de
câncer, por exemplo.
Tais achados são tão evidentes que existe uma área
conhecida como psiconeuroimunologia, ou para os mais precisos psiconeuroendocrinoimunologia,
responsável pelos estudos dos efeitos dos estados mentais sobre
a saúde física, através dos sistemas nervoso, endócrino
e imunológico.
Efeito placebo
Um dos exemplos mais evidentes de como a mente pode afetar os sintomas
físicos está no efeito placebo, salientado inicialmente
como fundamental nos estudos farmacológicos por Henry Beecher,
premiado anestesiologista americano. Um grupo passando pelo possível
efeito placebo, ou o quanto acreditar que se está sendo tratado,
pode trazer um alívio ou até mesmo a cura para determinadas
condições físicas. Esse estudo é necessário
antes de se colocar qualquer nova droga no mercado.
O grupo que efetivamente recebe a droga precisa ter melhora significativamente
melhor que o grupo placebo. Os achados iniciais foram realizados por Beecher
enquanto médico atuante na 2ª. Guerra Mundial: findados os
estoques de morfina ele passou a utilizar salina (que não tem nenhum
efeito terapêutico) e verificou que os soldados simplesmente por
acreditar no tratamento do médico, melhoraram quanto às
queixas de dor.
Ou seja, além de procurar o medicamento para a dor no peito, é
importante buscar viver melhor, reduzindo a quantidade de eventos considerados
estressantes em nossa vida e aumentando aqueles que possam nos trazer
uma profunda sensação de felicidade.
Dica de leitura:
Mind-body research moves toward the mainstream. European Molecular Organization
reports. Vol. 7, no.4, páginas 358-361, 2006.
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