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| "O fenômeno de isolamento,
até mesmo entre os membros da mesma família, ocorre
comumente nos grandes centros urbanos, enquanto que o apoio não
apenas familiar, mas comunitário, encontra-se preservado em
cidades menores ou zonas rurais. Isso porque nesses lugares menores,
as pessoas têm mais tempo para cultivarem os relacionamentos,
e têm a oportunidade de se conhecerem melhor" |
Atualmente, muitas famílias não dão
mais a devida importância às celebrações
religiosas ou festividades, em que é possível agrupar
pais, filhos, avós, tios, primos, padrastos, madrastas, e outros
parentes e amigos. Muitos não têm tempo para se encontrar,
ou até mesmo para comer regularmente com as pessoas que moram
em sua própria casa. É como se a casa, aos poucos, começasse
a abrigar pessoas cada vez mais estranhas e distantes entre si, mesmo
sendo da mesma família. |
A casa vai se tornando apenas um abrigo em comum, onde se pode dormir,
ter algo para comer, e alguma relativa segurança.
Aquela frase de comercial de televisão “não basta
ser pai, tem que participar”, poderia ser estendida a todos os membros
da casa: “não basta ser filho tem que participar”,
“não basta ser mãe, tem que participar”, etc..
Existem diversos estudos apontando para a importância de uma adequada
inserção e relacionamento familiar (mesmo que seja formada
por apenas uma mãe mais presente, ou um pai mais presente), para
a estruturação psicológica dos filhos. Uma família
presente, que transmite segurança e confiabilidade, além
de amor e carinho, tende a diminuir os riscos dos filhos envolverem-se
em episódios de violência na escola, em abuso de drogas,
e outros problemas cujos riscos tendem a aumentar em especial na adolescência.
Para os pais, essa inserção familiar é também
importante para redução de suas ansiedades e para uma melhor
qualidade de vida, à medida que vão envelhecendo, pois eles
sentem que poderão contar com algum apoio quando suas funções
físicas e cognitivas estiverem decaindo, e certamente precisarão
de ajuda. Aliás, o número de pessoas afetadas por doenças
degenerativas (incluindo as neurodegenerativas) tende a aumentar no planeta
devido ao aumento de nossa expectativa de vida. E essas pessoas (ou nós),
precisaremos de ajuda.
O fenômeno de isolamento, até mesmo entre os membros da mesma
família, ocorre comumente nos grandes centros urbanos, enquanto
que o apoio não apenas familiar, mas comunitário, encontra-se
preservado em cidades menores ou zonas rurais. Isso porque nesses lugares
menores, as pessoas têm mais tempo para cultivarem os relacionamentos,
e têm a oportunidade de se conhecerem melhor. Além disso,
as tradições, como a Páscoa e demais celebrações
religiosas que valorizam esses relacionamentos, estão mais preservadas.
Certa vez, um amigo que mora em uma cidade pequena, daquelas em que as
pessoas se conhecem pelo nome, disse: “engraçado, aqui em
São Paulo tem tanta gente, mas as pessoas são tão
sozinhas...”. Com sua simplicidade, mas com a sabedoria de quem
consegue parar, observar e perceber o que realmente está acontecendo
em uma conversa ou grupo de pessoas, ele captou a essência de que
estar junto ou agrupado não significar interagir, e poder contar
realmente com as pessoas.
Dicas de leitura:
Bowes L, Arseneault L, Maughan B, Taylor A, Caspi A, Moffitt TE. School,
Neighborhood, and Family Factors Are Associated With Children's Bullying
Involvement: A Nationally Representative Longitudinal Study. J Am Acad
Child Adolesc Psychiatry. 2009 Mar 24. [Epub ahead of print]
Schor EL. Family pediatrics: report of the Task Force on the Family. Pediatrics.
2003;111(6 Pt 2):1541-71.
de Belvis AG, Avolio M, Sicuro L, Rosano A, Latini E, Damiani G, Ricciardi
W. Social relationships and HRQL: a cross-sectional survey among older
Italian adults. BMC Public Health. 2008 3;8:348.
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