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| "Não se “faz”
um asana. Ele acontece! Quando o praticante está na imobilidade,
que é a fase essencial, deve-se abandonar a idéia de
fazer qualquer coisa. É só se colocar fisica e mentalmente
na disposição (ou seja, ficar natural), para que o asana
aconteça. Os grupos musculares atingidos pelo asana têm
que estar tão passivos quanto possível" |
Estão abrindo tantas “escolas
de yoga” em todos os cantos do planeta, que achei importante
repassar alguns aspectos essenciais dessa prática.
Para isso, li novamente o que foi escrito em 1972 na (revista) Revue
Yoga por André Van Lysebeth, pioneiro do yoga no ocidente.
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Fazendo uma comparação com os verdadeiros
yogis, não só da antiguidade, mas de nossos tempos,
podemos nos chamar de “principiantes”.
Para citar o André: “somos todos principiantes”. Qualquer
que seja a escola de yoga onde se pratica, nosso yoga é um yoga
muito básico. Ficamos modestos quando nos comparamos com os nossos
antepassados da India. Mesmo que consigamos posturas mais avançadas,
ainda estamos longe do desempenho deles, portanto, seremos sempre principiantes,
tanto em relação a eles como a nós mesmos.
Um “principiante” e um “avançado”
são iguais na frente da situação de praticar. A cada
etapa de sua evolução, o praticante volta aos princípios
essenciais, que são esses que se ensina desde o início da
prática.
Revise as noções básicas e questione sua
prática
Mesmo que o yoga não se limite às posturas – asanas
– eles compõem o alicerce dessa ciência, tanto do ponto
de vista físico como mental, quando se fala da meditação.
As posturas são tanto portões de entrada para o universo
físico, quanto uma via de acesso às dimensões psicofisiológicas
do yoga. Executar corretamente o asana é a condição
básica para o yoga.
Condições essenciais para o asana
existir
- Imobilidade
- Permanência
- Sem esforço
- Controlando a respiração
- Controlando a mente
Quando essas condições são reunidas, estamos realizando
o asana.
Durante o asana, os músculos são propositalmente colocados
em situação anormal e excepcional em relação
aos movimentos que o corpo realiza durante as diferentes ações
do dia. Situação excepcional não quer dizer situação
“antifisiológica”, pelo contrário.
Devemos ter consciência do estado dentro do qual se encontram os
músculos quando estamos numa postura. Essa postura é fundamentalmente
diferente de todas as situações do dia, quer seja nos atos
corriqueiros, quer seja na prática de esportes.
Pergunta básica: Qual é a propriedade essencial
do tecido muscular?
A possibilidade de se contrair. Quando o músculo contrai, ele possibilita
“mexer” o esqueleto. O movimento é a consequência
da contração de um ou de vários músculos.
Porém no yoga, e no yoga unicamente, os músculos são
sistematicamente estirados. Esse estiramento é a característica
essencial do yoga.
Nunca por si só o músculo tem a possibilidade de voltar
a um cumprimento “normal”. Todas as ações do
dia levam o músculo ao encurtamento. Se você achar que durante
o sono o músculo pode “encompridar”, você está
errado. De tanto contraído e tencionado que foi o músculo
durante o dia, se ele conseguir relaxar será insignificante, perto
do que se consegue com yoga.
Limite de elasticidade normal do músculo
O músculo pode contrair, mas também tem a elasticidade.
É essa elasticidade que determina o grau de flexibilidade ou rigidez
de cada um.
Os asanas querem levar o praticante além do limite de elasticidade.
O músculo aceita transgredir suas normas de funcionamento habitual,
mas com certas regras que vou lembrar.
Quando permitimos que o músculo relaxe. Geralmente quando chegando
perto do seu limite, o músculo tem a tendência de se proteger,
se defender, contrair. Essa reação natural de defesa pode
ser suprimida se nós “intencionalmente” pedimos o relaxamento.
Quando os músculos começam a repuxar, precisamos intencionalmente
relaxar, e não deixar que eles se defendam. Quando a resistência
ao alongamento é percebida, podemos ir somente até uma sensação
boa de estiramento, jamais forçar a musculatura até sentir
dor.
Nesse momento devemos interiorizar nossa atenção nos músculos
que ainda não aceitam o alongamento e “intencionalmente”
pedir e "convencê-los" a relaxar.
A expiração é aliada desse processo de relaxamento:
a cada expiração, podemos alongar um pouquinho mais.
Quando damos tempo suficiente para o músculo relaxar. É
imprescindível “não correr”. Uma vez que chegamos
ao limite de elasticidade normal, o músculo aceita ser alongado
um pouco mais, desde que o deixemos o tempo suficiente, ou seja, várias
dezenas de segundos. Basta esperar para sentir, gradativamente, os músculos
se alongando.
Não fazer nenhum movimento brusco enquanto o músculo está
se alongando. Já que o músculo está no seu limite
de elasticidade comum, não se pode exigir com força mais
comprimento, como por exemplo, a mão do professor pressionando.
O músculo perdeu a margem de segurança e fica vulnerável.
Ir além dos limites de elasticidade do músculo, com trações
ou deixando a força da gravidade atuar pode ser feito suavemente
e simultaneamente às expirações. Assim não
se corre nenhum risco. Enquanto uma ajuda externa pode prejudicar o músculo,
a consciência e o alongamento suave são necessários
para ultrapassar os limites comuns de estiramento.
Vale lembrar que o tremor no músculo indica que ele não
está relaxado. Uma interiorização no grupo de músculos
submetidos ao alongamento é necessária. Essa é a
razão da imobilidade. Imobilidade prolongada para obter os efeitos
das posturas.
Por que precisamos do alongamento?
Os músculos estão sempre encurtados. Quando se trata de
um sedentário, que não pratica nenhuma atividade física
já sabemos que a tendência de um músculo desativado
é de encolher. Já nos caso dos esportistas é o contrário,
o músculo fica duro e permanentemente contraído.
Como saber se um músculo tem seu comprimento normal?
Simples! Quando a articulação não pode realizar a
amplitude do movimento que deveria: o yoga busca a liberação
de todas as articulações.
Existem receptores nervosos sobre os músculos que são sensíveis
à tensão muscular. Por ação reflexa, automática,
uma série de reações acontece no organismo via os
receptores nervosos. O alongamento com permanência na imobilidade
recondiciona e posterga esses mesmos limites e permite que a articulação
volte à sua mobilidade natural. Um músculo alongado se esvazia
do sangue. Quando volta à posição normal, ele enche
de sangue novo oxigenado, fazendo uma grande limpeza.
O que é a fase dinâmica do yoga?
Além da imobilidade e permanência, existe a fase dinâmica,
onde o professor pode pedir para o aluno repetir a mesma postura, por
exemplo três vezes seguidas, sem parar e só pedir para ficar
na imobilidade na quarta vez. Esta é a fase dinâmica.
Ela é necessaária como uma preparação para
a fase estática. Às vezes essa fase é necessária
para deixar a pessoa consciente do grupo muscular que será alongado.
Esses mesmos músculos estarão descontraídos na hora
que for necessário o alongamento máximo.
Não se “faz” um asana. Ele acontece!
Quando o praticante está na imobilidade, que é a fase essencial,
deve-se abandonar a idéia de fazer qualquer coisa. É só
se colocar fisica e mentalmente na *disposição para que
o asana aconteça. Os grupos musculares atingidos pelo asana têm
que estar tão passivos quanto possível. Os músculos
que precisam estar contraídos para a postura, e somente esses,
devem estar ativos, os outros músculos estarão obrigatoriamente
relaxados. O praticante percebe a noção de “músculo
contraído” e “músculo descontraído”.
Esse caminho dos opostos também é uma das vias do yoga.
Você que quer começar a pratica do yoga já entendeu,
não existe diferença nenhum entre mim, que comecei há
mais de 30 anos, e você. Somos sempre principiantes.
*Deixar acontecer, não forçar o corpo. Ao permanecer na
postura, o corpo vai se acertando sozinho na postura. Acontece, sem você
precisar fazer, é só deixar acontecer.
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