"Os modelos tradicionais
de desenvolvimento de um país levam em conta índices
econômicos e financeiros como PIB – Produto Interno
Bruto.
O rei do Butão propôs um novo índice: FIB
– Felicidade Interna Bruta" |
Você leu bem... FIB* e não
PIB! Estou falando de um pequeno país, o Butão, cujo
rei Jigme Singye Wangchuck, em 1972, resolveu contra-atacar as críticas
de governar um país miserável. |
O rei retrucou assinando e implementando medidas que iriam garantir uma
economia adaptada à cultura do país e baseada nos valores
espirituais budistas.
Os modelos tradicionais de desenvolvimento de um país levam em
conta índices econômicos e financeiros como PIB – Produto
Interno Bruto.
O rei do Butão propôs um novo índice: FIB –
Felicidade Interna Bruta! Nunca se ouviu falar que desenvolvimento espiritual
com desenvolvimento socioeconômico promoveria a felicidade dos cidadãos!
Porém, essa ideia está traçando seu próprio
caminho. Hoje não se pensa nessa proposta como uma piada. Parece
que os governos estão começando a rever seus conceitos,
principalmente em tempo de crise, quando os modelos conhecidos estão
explodindo um após o outro.
Quais são os alicerces principais do FIB?
1 - desenvolvimento socioeconômico sustentável
e igualitário
2 - preservação e promoção
dos valores culturais
3 - conservação do meio ambiente natural
4 - estabelecimento de uma boa governança
Com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento) o reino do Butão aplicou seu programa chamando
a atenção de outros países. Esse programa requer
para seu sucesso nove pontos a serem medidos e revisados como:
1 - o bem-estar psicológico avaliando o grau de
satisfação e o otimismo de cada indivíduo: emoções,
autoestima, sensação de competência, estresse, atividades
espirituais;
2 - a saúde medindo a eficácia das políticas
de saúde até nos comportamentos cotidianos como o exercício
físico ou no sono e nutrição;
3 - o uso do tempo como medidor da qualidade de vida
promovendo o desfrutar da família, a socialização
e gestão equilibrada levando em conta o tempo passado no trânsito,
no trabalho, nas atividades educadoras...;
4 – a vitalidade comunitária focando as
interações nas comunidades: nível de confiança,
vitalidade dos relacionamentos afetivos, prática de doação
e voluntariado;
5 – a educação avaliando os fatores
como participação em educação formal e informal,
competência, envolvimento na educação e valores ensinados
aos filhos;
6 – a cultura avaliando as tradições
locais, festivas, as oportunidades de desenvolver capacidades artísticas
e a discriminação pela religião, raça ou gênero;
7- o meio ambiente medindo a percepção
dos cidadãos em relação à qualidade da água,
ar, solo, biodiversidade e muito mais como coleta de lixo, áreas
verdes e etc;
8 - avaliação sobre como a população
enxerga o governo e todos os sistemas de administração do
país em termos de responsabilidade, honestidade e transparência
envolvendo os cidadãos nas decisões e nos processos políticos;
9 - avaliação do padrão de vida
por meio da renda individual e familiar, o nível de dívidas,
das qualidades habitacionais.
A primeira tentativa de medição do Produto Interno Bruto
apareceu nos Estados Unidos em 1934, querendo medir toda a produção
econômica dos americanos.
Essa ideia do FIB apareceu em 1972. Quase 30 anos depois...
Seria o FIB uma grande revolução dos espíritos, pelo
mínimo dos espíritos ocidentais? Seria o FIB uma volta ao
justo equilíbrio da balança espiritual do cidadão
do planeta?
Será a medição do PIB, medidor
de riqueza econômica, um índice de quem se agarra ao dinheiro
e só vê como fator de sucesso o "quantitativo"
em detrimento do "qualitativo"? Ou seja 'destruir' esse
antigo modelo e recomeçar um novo tipo de vida com mais felicidade
e bem-estar.
Seria o PIB um medidor econômico de um mundo materialista, enquanto
o FIB seria o índice de medição de um mundo espiritualizado?
Se almejarmos o bem-estar social e não apenas
a atividade econômica do cidadão, não se deveria aproveitar
a baixa do PIB no mundo todo para fazer a mudança para o FIB?
Será que o fracasso das estruturas econômicas, obsoletas
e sua substituição por novas estruturas adequadas abririam
um caminho para o futuro?
Deveríamos falar de destruição criativa? Shiva e
Vishnu se aliando: um destruindo e o outro construindo o mundo novo?
Joseph Stiglitz – Prêmio Nobel em Economia 2001 – disse:
"Se o PIB é o que pensamos ser o sucesso, as pessoas vão
se esforçar pelo PIB". Assim todos os esforços serão
feitos para aumentar a renda per capita, a produção e a
produção de dinheiro. Assim também,
os políticos irão apoiar políticas que aumentarão
o PIB em detrimento da qualidade de vida.
E se o sistema fosse errôneo? A pergunta “O quanto meu país
é rico?”, poderíamos retrucar: "O quanto meu
país é feliz?". Isso mudaria o foco dos políticos.
A conversa mundial mudaria de foco. Dessa busca de outros fatores de sobrevivência
se encontraria outros parâmetros de contabilidade e outras estatísticas.
Esse minúsculo país de 700.mil almas, preso entre dois gigantes
como a Índia e a China e que foi totalmente isolado durante milênios,
talvez esteja mostrando um caminho, uma orientação para
o futuro?
Moralizar, espiritualizar, endireitar, aplicar uma ética universal
a um mundo onde a globalização parece inevitável
seria interessante.
Talvez essa ideia do FIB, do Índice de Felicidade, seja um possível
ponto de partida para aplicar subjetividade na economia e nas finanças
mundiais e humanizar os intercâmbios e os sistemas.
Qual a relação do FIB com o yoga?
Se você se lembrar bem, o yoga é um sistema completo chamado
“caminho dos oito membros”. Os primeiros ingredientes de um
yoga bem compreendido são relacionados a comportamentos de respeito
para consigo mesmo e para com os outros, enxergando a lei dos opostos
e desejando encontrar o caminho do meio – pré-requisito indispensável
à tranquilidade psíquica e ao equilíbrio.
Curiosidade

O rei Jigme Khesar Namgyal Wangchuk do Butão se
casou dia 13 de outubro com a princesa Jetsun Pema
Mais informações:
• The International Conference on Gross National
Happiness
• Site sobre a 5a Conferencia Internacional da Felicidade Interna
Bruta www.felicidadeinternabruta.org.br
• Projeto piloto inicial ministrado na cidade de Angatuba, interior
de São Paulo desde 2008
• Ver as publicações do Dr. Eric Zencey, membro do
Conselho Internacional do FIB
• Interview of Joseph Stiglitz www.foratvyoutube
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