| "São
nossos julgamentos que geram as emoções. Quem quiser diminuir
a importância que dá para sua mente, deve se esforçar
para não alimentar pensamentos parasitas: essa é a melhor
forma de favorecer a paz interior"
Eu acho muito interessante ver como a ciência moderna
integra técnicas tradicionais antigas e a propõe aos nossos
contemporâneos como soluções “inovadoras”.
Abaixo está uma dessas propostas para silenciar a mente e encontrar
a paz no coração. É uma solução para
desativar a mente que não para de falar, comparar, analisar e julgar,
gerando estresse e furacões emocionais.
No seu último livro Le
non -jugement, de la théorie à la pratique, o
psicólogo Yves-Alexandre Thalmann (foto), propõe várias
soluções para fazer com que o papagaio da mente se
cale. A solução mais radical e evidente que foi proposta:
voltar ao seu corpo.
Imagem: www.yathalmann.ch |
Yves-Alexandre: "Desconectar a mente quer dizer
apaziguar o coração"
|
A fim de desenvolver uma atitude sem julgamento, podemos
tentar silenciar nosso juiz interior, ou mais simplesmente, sair do nível
da mente.
Certas pessoas devotam anos de meditação para chegar a esse
fim. Mas estamos em estado de emergência, não dá tempo!
Como podemos favorecer esse estado em nós, aqui e agora?
Yves-Alexandre Thalmann ensina no seu livro uma maneira para chegar lá:
uma mudança de perspectiva. Mudar o foco da cabeça para
o coração.
No lugar de colocar nossa atenção sobre o que estamos pensando,
devemos nos conscientizar de nossos sentimentos, no sentido de “sentir”
realmente.
Ao invés de fazer comentários sobre o que está nos
acontecendo, devemos sentir os eventos. Será que isso é
agradável ou desagradável?
Como silenciar a mente?
Para conseguir essa mudança de perspectiva, é necessário
perceber que a meta não é colocar uma palavra sobre uma
sensação, senão, seria ativar a mente novamente.
Ao contrário, o foco será só no sentir, perguntando
para si mesmo: Será que meu *plexo solar consegue relaxar ou ele
está tencionado e duro? Que sensação estou tendo:
de dilatação ou de contração, de encolhimento?
Em seu livro, fica claro que sua teoria se baseia no yoga quando explica
que os centros nevrálgicos, nomeados chacras ou nadis (vias de
transporte da energia vital) têm um papel de gerador, condensador
e distribuidor de energia vital. No oriente o chacra da mente (do pensamento,
geralmente ligado ao desempenho no mundo externo, e ao sucesso imediato)
é descrito pela cor amarela, no nível do plexo solar. O
chacra do sentir fica no nível do coração e é
visualizado como uma bola verde.
Assim, para parar de julgar e passar a sentir, basta mudar o foco do centro
do chacra amarelo para o verde.
Nesse centro verde do coração, existe uma outra qualidade
de energia que temos condição de sentir, apalpar. Dessa
forma, seremos capazes de abandonar as reflexões habituais como
”isso é bom ou ruim” para sentir sensações
agradáveis ou desagradáveis.
A característica essencial da vida é o movimento: as coisas
mudam continuamente. Nossos julgamentos, assim que expressados, tornam
a vida estática, congelam a realidade.
O não-julgamento, pelo contrário, nos convida a surfar,
a nos conectar ao vivo, à dinâmica que está dentro
de nós, ao que sentimos.
São nossos julgamentos que geram as emoções. Quanto
mais repetimos que nosso colega é incompetente, mais ficamos bravos
com ele. Quanto mais pensamos que nossa filha é desobediente, mais
ficamos com raiva dela. Quanto mais alimentamos o pensamento de que o
mundo é injusto, mais ficamos tristes.
Quem quiser diminuir a importância que dá para sua mente,
deve se esforçar para não alimentar pensamentos parasitas:
esta é a melhor forma de favorecer a paz interior.
Finalmente Yves-Alexandre diz: "Desconectar a mente quer dizer apaziguar
o coração"
Após todo este texto e análise deste livro, volto novamente
ao yoga, que há milênios já pesquisou a psique humana
e extraiu o essencial com técnicas de aplicação prática
para se sentir bem e ter condição de se realizar.
Citarei um autor tradicional do yoga:
Swami Sivananda (foto), que respondeu a algumas perguntas simples:
Imagem: www.dlshq.org |
Swami Sivananda: Mente ó inimigo que deve
ser temido |
- Onde se encontra a felicidade eterna?
- Dentro de si mesmo
- Quem é o inimigo a ser temido?
- A mente
- Qual é a fábrica mais eficiente do mundo?
- A mente
- Qual é o melhor idioma?
- O do coração.
(1) Le non -jugement, de la théorie à la pratique - Yves
Alexandre Thalmann ed. Jouvence 2008
(1) Yves-Alexandre Thalmann estudou ciências
na Universidade de Friburgo. Obteve um doutorado em física das
partículas em 1997. Constatou que sua formação era
inútil para enfrentar as dificuldades relacionadas ao cotidiano.
Se interessa pela comunicação. Completou os estudos em vários
países, se formou em psicologia. Escreveu vários livros,
ensina psicologia e escreve na revista Psychologies na França.
(2) Swami Sivananda, A essência do Yoga
Nascido em 1887 Swami Sivananada foi médico e mais
tarde “renunciante”. Ele se instalou em 1924 em Rishikesh,
onde praticou uma vida de austeridade. Swami Sivananda formou muitos ocidentais
nas diferentes práticas de Yoga. Em 1936 criou a Divine Life Society
que teve rapidamente ramificações na Índia e no mundo
inteiro. Swami Sivananda morreu em 1963.
*Plexo solar - chacra localizado na região abdominal três
a quatro dedos acima do umbigo
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