| Simples
truque para aquietar a mente - clique aqui
Nos artigos anteriores (clique
aqui), esclareci quais são as condições corporais
para a execução dos asanas - posturas de yoga. Agora vamos
aprofundar um pouco mais, vamos ver quais são as condições
mentais de execução dos asanas.
A física moderna não dissocia matéria de energia,
também não dissocia matéria de pensamento. Devemos
lembrar que também para os yoguis, pensamento é matéria,
ou seja, os pensamentos são eventos que acontecem no mundo da matéria.
Corpo e mente nunca podem ser dissociados. Podemos até chegar ao
ponto de dizer que o nosso corpo vem de um pensamento organizado, “materializado”.
Uma vibração particular que organiza a matéria, mesmo
que não possa se enxergar com nossos sentidos.
Se pudéssemos 'classificar', diríamos que a matéria
grosseira é energia condensada. As energias vitais (ou prânica),
que animam nosso corpo, mesmo que sejam sutis, são da mesma natureza.
As energias psíquicas e mentais são ainda mais sutis.
Não se pode perceber nem começo, nem fim. Essas energias
são tão intricadas que não se sabe onde passa a tênue
fronteira entre o corpo cheio de vida e a matéria, nem entre a
matéria e o espírito!
Os asanas, as posturas de yoga, são prolongamentos da atividade
da mente. Entenda que a mente passa as ordens e guia o procedimento do
asana. O yoga do corpo pode ser chamado de “yoga mental que atua
sobre o corpo”.
Então, qual é a atitude mental que se deve ter durante a
fase dinâmica, quando se entra no asana e durante a permanência
no asana?
É simples: seguir tudo de dentro, acompanhar com o pensamento cada
etapa, se conscientizar do todo. Nada pode escapar da nossa vigilância,
porque estamos direcionando toda nossa atenção para dentro.
Voltando a atenção para o universo interno, mais do que
para o externo. Lembrando que passamos grande parte de nosso tempo olhando
para o mundo ao redor de nós e tentando atuar nele.
| No yoga vamos nos abstrair do mundo externo
em prol da percepção do mundo interno. Assim nossa sessão
de yoga será mais autêntica, mais eficaz. |
Quem pratica deve direcionar toda sua atenção
para cada músculo, para cada contração, que só
pode ser feita na medida exata dos limites de cada um. O praticante –
graças às sensações internas – de seus
movimentos, de suas articulações e mais particularmente,
de sua coluna vertebral, vai compor uma “verdadeira imagem do seu
corpo”.
Nenhuma percepção escapará ao praticante: percepção
de simetria do corpo, de peso de cada parte para conseguir equilibrar
– de dentro – cada segmento do seu corpo. Pés, pernas,
braços e mãos se unem na postura para realizar uma simetria
perfeita.
Quem comanda essas regulagens? O cérebro.
E quem manda para o cérebro? A mente.
Sem rotinas
Em nenhum momento pode se instalar a rotina. Não é nada
“maçante”. A mente dinâmica percorre todos os
detalhes para ajustar, equilibrar, e mesmo que o corpo esteja numa imobilidade
perfeita, a mente está em ação. Quer o praticante
seja principiante ou não.
Não existe rotina. Cada dia o corpo é diferente. Costuma-se
dizer que o corpo é um rio: parece igual, mas as águas são
sempre diferentes. Cada prática requer a atenção
total.
Equilibrando assim as duas metades do corpo, poderemos chegar
ao equilíbrio das duas metades do cérebro. Essa percepção
interna do nosso universo corporal é a base do equilíbrio
psíquico.
A psicologia moderna sabe que as perturbações psíquicas
acarretam perturbações na organização do corpo
no espaço. Esse princípio é valido também
no outro sentido: equilibrando o corpo, se chega ao equilíbrio
psíquico. Os yoguis sabiam disso muito antes de se falar em psicossomática.
Poderíamos ficar imóveis na postura sem nos preocupar com
nada, mas quem vai cansar primeiro vai ser a mente. É a mente que
não gosta de ser imobilizada e mantida parada.
| Os indianos comparam a mente a um macaco
pulando. O macaco é o símbolo da mente agitada. Pior
ainda, dizem que a mente pode ser comparada com um macaco, bêbado,
picado por um escorpião! |
Nossa mente se torna um macaco louco e agitado, aprisionado
num corpo imóvel como uma estatua. A mente queria ficar ocupada,
gostaria de mexer o corpo, mas nos exigimos a imobilidade total. A mente
vai roubar, ajeitar um pouco a posição, mexer um pouquinho
os dedos ou girar um pouco a cabeça. Devemos ficar no comando da
mente, devemos exigir uma perfeita imobilidade. Depois de certo tempo,
poderemos pedir uma intensificação da postura, mas chegamos
nesse ponto porque nós queremos e não porque a mente não
aguentou mais.
Devemos saber que a mente tenta todos os truques para escapar da imobilidade
e fala para nós: “se você ficar mais tempo nessa postura...
não terá tempo para as outras posturas...“ ou “você
tem tantas coisas para fazer hoje!”. Não se pode dar ouvidos
para a mente. A imobilidade do corpo, gradativamente, ajuda a mente a
reduzir o número de pensamentos. Essa meta, reduzir a atividade
da mente é uma das metas dos yoguis.
Como parar a mente?
Mesmo que o corpo esteja imóvel, nesse universo ainda acontecem
milhares de operações, e uma delas é a respiração.
| Podemos usar a respiração para
“ocupar” a mente. Podemos equilibrar as fases da inspiração
e da expiração rigorosamente. E, quando a mente estiver
acompanhando a respiração, podemos imaginar o som “Om”
durante a inspiração e o mesmo som “ Om “
durante a expiração, sem deixar espaço nenhum
entre cada “Om”. |
E assim o foco é derivado para o ritmo, para o som
interior. Gradativamente a mente se desaloja do corpo e vai para níveis
mais sutis, a vibração do som aquieta a mente, e podemos
deixar um clima emocional gostoso “florescer” dentro de nós.
Essa vibração irá penetrar todos os níveis
de nosso ser. Esse embalo interior atuará profundamente em nossas
células: dos dedos dos pés até cada fio de cabelo.
Este idioma secreto do nosso ser não precisa do intelecto, mas
devemos lembrar que uma parte nossa impregna cada célula e que
existem centros de consciência no corpo inteiro: em cada célula.
Esse “modo de usar” é exclusivo ao yoga. Assim se encontra
uma dimensão extraordinária que não tem nada a ver
com a prática de qualquer esporte ou qualquer ginástica.
Paramos de surfar na superfície do mundo para mergulhar na paz
de nossas profundezas.
Nesse momento estamos praticando o verdadeiro hatha yoga, o yoga da integração.
Assim, você experimenta o verdadeiro centro, o verdadeiro “lar“
que as “ondas” da superfície não conseguem abalar.
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