A COBRA SEM VENENO
  
 

Depois de visitar várias fábricas e lojas, fiquei curioso em conhecer a loja de fábrica das "Cerâmicas Artísticas Simone", pois muito ouvi falar de sua criatividade neste ramo. Eram 15:00hs, e fomos muito bem recebidos por seus funcionários e um dos donos da mesma. Comprei alguns objetos, e acabei ganhando outros como brinde da casa, foi neste instante que fiquei sabendo que um dos jornalistas do "Jornal do Porto" era o Carlos Augusto, que já havia me entrevistado em outra ocasião, quando estive em visita a cidade. O mesmo veio me pedir outra entrevista e, enquanto o espero, a minha máquina do tempo mental transportava-me em uma viagem fantástica, não ao passado mas ao futuro desconhecido. Chamarei esta viagem de premonição pois os fatos vieram a ocorrer no presente. Estou exatamente no centro de São Paulo, metrópole dinâmica e gigantesca, em meados de março de 1997.

Coincidentemente encontro-me com o laudo, desenhista de mão cheia, que esta passando para os quadrinhos as obras do personagem do Zé do Caixão. O mesmo quer saber se os relatos por mim publicados no Jornal do Porto, revista vitrine e na minha coluna do jornal O Estado de São Paulo, onde comento sobre as peripécias da cobra são verdadeiros e se a menina realmente existia. Ele ficou surpreso ao saber da veracidade comprovada de tudo e muito chocado em perceber que ele mesmo já havia a conhecido. Ele quis saber de mais detalhes e o informei que, dada a correria em que eu me encontrava, só podia lhe dar informações que a mesma havia passado por telefone a uma de minhas funcionárias. Cheguei a conclusão de que tinha, através dos anos de convivência, drenado o veneno que o réptil trás em sua bolsa peçonhenta, e com isto pude avaliar sua influência nefasta em minha vida. Tal como está escrito no livro da verdade, para ela existiram os sete anos de vacas gordas, ao se aproximar de mim. Apesar dos altos e baixos, ela poderia ter feito seu "pé de meia" só que a cobra tem como natureza fazer o mal à todos, inclusive à si própria. Estava escrito de que ela ainda teria um ano e meio pela frente para pensar no mal que havia feito à muitas pessoas e, quem sabe, acabaria eliminando de suas entranhas o ódio que a consumia desde criança, para poder ter uma vida mais equilibrada e normal. Ao menos parece que é isto que ela esta fazendo, trabalhando mais profundamente suas boas intenções, coisa que até agradeço por se tratar de um de meus mais poderosos inimigos. Afirmo, com certeza, que a cobra foi muito mais perigosa que os espíritos errantes, alienígenas, o bode que cospe fogo, o vampiro de Osasco e muitos outros personagens sorrateiros das sombras que confrontei. Outra curiosidade é que eu havia dito à ela de que a tornaria numa personagem na TV e nas historias em quadrinhos, e isto agora começa a tornar-se realidade através da Editora Escala e, é claro, desenhadas pelo laudo. Mas é duro confessar que ela é a verdadeira urucubaca em pessoa ou, como dizem, uma "pé frio" e que entro em estado de angustia e depressão pelo simples fato de mencionar seu nome.

Mas a minha missão é a de entreter meus leitores, e meu fardo torna-se leve, e continuarei escrevendo meus relatos sobre a morfética sempre que solicitado for pois, na realidade, eles servem como aviso aos incautos que correm o risco de enfrentar outros tipos de cobras. Agora meus olhos se desanuviam e me encontro novamente no interior da loja; já passam das 15:30hs. Do dia 31 de maio de 1996 e começo minha entrevista com o Carlos Augusto, e é neste momento que recebo a proposta de escrever uma coluna semanal para o jornal da cidade, aceito com muita honra e prazer. Mas o tempo voa e já me preparo para voltar a São Paulo, junto com minha partner Gracielle, para novas experiências viver e, é claro, posteriormente relatá-las aos caros leitores.

Pensamento: mesmo que você tenha certeza de que existem muitos animais que não podem ser domesticados, lembre-se que a paciência é uma virtude recompensadora, e você pode alcançar seus anseios.