Se formos analisar o Brasil, estado por estado, iremos notar que nosso país é o mais místico de todo o mundo. Nosso folclore é riquíssimo, e descomunal é o número de lendas que permeiam todas as camadas da sociedade. Puxo pela memória, e o "causo" me vem lépido à lembrança: 1968, Osasco, São Paulo; falava-se muito em uma casa assombrada, cujo único morador era um bode velho. Segundo muitos moradores da região, a mefistofélica criatura soltava fogo pelas ventas! Tem mais, afirmavam que quem fosse atingido pelas labaredas, iria direto para as profundezas do inferno, isto mesmo se a vítima fosse pessoa de boa índole, pura e sem pecado. Todo este alarde sobre a casa mal assombrada e seu cornudo habitante, mexeu com minha curiosidade. O caro leitor já sabe de minha paixão por temas inexplicáveis e curiosos e, não foi surpresa, quando convidado a conhecer o lugar aceitei prontamente. Lá chegando um desafio foi feito, e aceito na hora: eu deveria passar a noite naquela habitação. Estávamos em agosto, mais precisamente em sua ultima semana, me dirijo à casa do diabo (denominação pela qual era conhecida), com o intuito de desvendar quaisquer segredos que a mesma possua.
Claro que a expectativa de minha equipe, discípulos e imprensa era enorme pois, como depois se descobriu, muitos dos casos semelhantes, não passavam de grosseiras farsas ou tratava-se de invenções fantásticas, cujo objetivo era afastar curiosos do local. O leitor mais atento já deve ter matado a charada, estas ilusões eram criadas por contrabandistas, traficantes ou qualquer outro tipo de meliantes. Mas neste caso, isto não se aplicava. Fui informado de que a polícia, por diversas vezes, havia vistoriado o local em busca de vagabundos, sem nada encontrar. Outro fator importante, o tal fenômeno só ocorria quando uma pessoa entrasse ali sozinha. E isto aconteceu com diversos curiosos, que ali foram mostrar sua coragem, e todos eles juraram ter visto o tal bode, fugindo em desabalada carreira, escapando dos cornos do mascote de belzebu. Por volta das 23:00 hs. Adentrei os portais da casa, que era realmente enorme e fúnebre, e notei que a mesma servia perfeitamente para se fazer um filme de terror, ela era muito lúgubre. A me acompanhar apenas uma luz fraca que bruxuleava de uma vela de sebo amarelado, que apenas iluminava o recinto de forma bem pálida, contribuindo para aumentar o aspecto desolador e fúnebre. Devo ter fumado uns quatro maços de cigarro, acendendo o próximo no toco do anterior que havia acabado de fumar, tal era a minha ansiedade em ver a tal besta. Infelizmente (ou felizmente) nada aconteceu; só uma coisa me deixou "encafifado": não sei se foi uma armação feita para me impressionar, ou era eu que estava sugestionado. Não sei como, nem porque, tive a nítida impressão de ter ouvido algo semelhante a um balido, acompanhado pelo ruído característico de cascos sobre o madeirame do assoalho dos cômodos circunvizinhos.
Forcei-me a acreditar de que se tratava de alguma gravação feita para assustar o grande "Zé do Caixão" transformando-me depois em motivo de troça, pena que não achei nenhum indicio de que isto era o que tinha acontecido. O dia amanheceu e nada mais de relevante ocorreu. Vale lembrar que este fato fez com que a TV Bandeirantes usasse a casa, num programa tipo "Cidade contra Cidade" , e eu participei deste programa. Confesso que a casa me deu sorte, minha equipe venceu a gincana e, em função disto, até hoje existe pessoas que acreditam piamente de que a casa é de minha propriedade. Só sei que hoje em dia a mesma está totalmente reformada, e não mete medo em mais ninguém.
Pensamento: jo no creo en brujas, mas que las hay... hay !!!
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