Eu sempre vou buscar, através da Macabra Fornalha, acontecimentos relativos ao passado longínquo. Mas a crônica desta semana, pode-se dizer praticamente, que esta saindo do forno. Vou falar sobre algo que os mais jovens devem prestar bastante atenção. Vou falar sobre o futuro, onde vocês irão vencer, ou serem derrotados pelo dragão do Terceiro Milênio. Recentemente fui convidado pela Cd Expert para participar na apresentação de um CD-Rom com os melhores jogos de horror.
Como parte de meu trabalho, eu deveria divulgar o mesmo na Fenasoft (1998). Estou pronto a adentrar ao paraíso da Informática, e cumprir minha missão. Me senti dentro de um daqueles jogos de RPG eu, minhas quatro guardiãs da Terceira Força e meu empresário, verdadeiro "Stalker" de negócios. Inicia-se a batalha; onde estacionar. Nosso carro não era o "Batmóvel" e ficou preso, rodeado por dezenas de carruagens conduzidas por "monstros domingueiros". Logo depois, nossas heroínas tiveram que se trocar lá no pátio. Ai entrou a solidariedade; pessoas de todas as classes, empresários, visitantes, manobristas e maloqueiros, fizeram uma verdadeira parede humana, dando condições para que minhas acompanhantes se vestissem a caráter. Cumprindo esta tarefa, preparamo-nos para nossa terceira missão, passar pelos robôs na portaria.
Fomos felizes, lá estava um simpático elemento, que ainda não havia perdido seu lado humano; passamos por esta fase com tranqüilidade. Mas vamos em frente; conseguimos reagrupar todos os átomos de nosso grupo, e "Stalker" inicia sua perseguição do Stand onde iríamos ter a apresentação. Por todos os lados se vislumbra a presença maciça de equipamentos de última geração, hipnotizando toda uma nova geração de cibernautas, pcmaníacos e nerds. O ruído de alta freqüência, que formava uma cacofonia de sons, nos atordoava... estávamos rodeados. Parecia que a humanidade, como um todo, havia sido varrida da face do planeta e os computadores tinham assumido o controle.
De repente, uma visão maravilhosa! Cruzo com a linda Mariza Orth (a Magda), que me chama para tirarmos uma foto. O público está extasiado, pois lá, em carne e osso (mais carne do que osso) estava uma das maiores sensações da TV , atendendo a todos com humildade e simpatia. Isto mostra que ainda estamos no controle, a batalha ainda não foi perdida! "Stalker" nos conclama para que sigamos, temos que atingir nosso forte, o stand onde eu iria me apresentar. No caminho, totalmente cercados pela massa que se comprime, a tragédia; um cos camera-man que cobria o evento tromba violentamente com uma das moças que ali se encontrava. A menina desmaia em meus braços, e o pandemônio se forma. O fluxo de pessoas estanca, e como num rio de águas volumosas, a ameaça de uma enchente humana surge poderosa.
Ainda bem que a equipe médica foi ágil, e o problema solucionado. A massa de fãns é compacta, numerosa. As vezes sinto acessos de claustrofobia, me sentindo num "corredor polonês", prevendo com que facilidade um "estouro" poderia se desencadear, se o pânico os tocasse. Lá na frente "Stalker" continua em busca de nosso stand, e o mesmo se desespera quando não consegue enxergar o topo de minha cartola (seu único referencial). Explico, encontrei meu querido amigo Moacir Franco, outro humano, e me brindei com um abraço do grande cantor.
Tudo continua sob controle. Agora, uma última parada, antes de atingirmos o objetivo final. Vou ao banheiro, para os ajustes finais em meus trajes. Quando me preparo para sair, uma multidão se concentrava na porta.
Os homens do local estavam assustados pois uma legião de meninas haviam adentrado o recinto para me pedir autógrafos! Mais um obstáculo superado e, finalmente, chegamos ao final do jogo, lá estava nosso Castelo, o stand onde meus parceiros me aguardavam. A saga terminou, mas permanece em mim a impressão de que, se o "chupa-cabras" é apenas um animal e não oferece perigo; o mesmo não acontece com o "chupa-cérebros" (o computador).
Existe um perigo real e imediato de que ele venha a solapar as mentes daqueles que não conseguem se relacionar com seus semelhantes, buscando o refúgio na telinha hipnótica, escondendo-se sob o manto do anonimato. Teremos então uma verdadeira legião de zumbis, que poderão ser controlados a distância pelo terrível personagem criado por George Orwell "Big Brother".
Só estou tranqüilo pois, acima de tudo, minha confiança na juventude é incomensurável, sei do potencial da maioria deles; e sei que eles podem vencer o "chupa-cérebros" se assim o quiserem. Toco aqui o clarim, conclamando as tropas de elite das novas gerações que irão governar este planeta num futuro próximo, para que possamos ter o perigo de uma lavagem cerebral em massa ser evitada, usando a Informática, em toda a sua plenitude, para o bem estar da humanidade.
Pensamento: o computador não pensa, ele apenas ordena com lógica o que seu dono o ordena a fazer.
|