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Jussara Silveira faz disco simples e inteligente
por Beto Feitosa
Jussara, terceiro disco de Jussara Silveira, acerta quando busca uma simplicidade inteligente. Compositores de personalidades marcantes se encontram de forma harmônica na produção de Chico Neves e Maurício Pacheco. Chico Buarque, da fase inicial, se funde com o axé de ninar de Lucas Santtana, perto de um Tom Zé de 1978 e de um Benjor do mesmo ano. A escolha do repertório, arranjos modernos rurais e a voz doce e aguda lembra Gal Costa dos bons tempos tropicalistas. A comparação entre as duas já foi feita várias vezes, mas é impossível não construir uma ponte entre os dois trabalhos que se perdem apenas na linha do tempo. De seus shows, Jussara Silveira trouxe Fria claridade, fado conhecido na voz de Amália Rodrigues. Da África, Carapinha dura, de Teta Leandro. De São Paulo, uma letra de Arnaldo Antunes com os baianos Luiz Brasil e César Mendes, Menino meu.
A simplicidade agora ganha estrada. Jussara Silveira chega ao Rio de Janeiro no dia 12 de fevereiro, antes do reinado de momo monopolizar as atenções. O show, que vai acontecer no Bar do Tom, traz participações pra lá de especiais da percussionista Lan Lan e da cantora Numa Ciro, que vai apresentar trecho do Monólogo Cantante, já exibido em circuito teatral do Rio, além da valsa Numa Serenata de Luiz Gonzaga. Mais um passo em busca de um público cada vez maior. Mais uma peça de um trabalho criado artesanalmente com talento e idéias próprias que passam longe do departamento de marketing das gravadoras. |