Maria Rita Mariano
Cantora brilha por si
por Flávia Souza Lima

A voz está ali, a dois passos da vista. Personificada, a um passo da memória emotiva. Transversal do tempo em movimento que traz Elis Regina em rewind e Maria Rita Mariano em foward.

Mãe e filha cujas semelhanças ultrapassam laços físicos e as unificam em gesto, voz e luz. Mas que fique claro: desde o início, Maria Rita Mariano, aos 25 anos, estreando como cantora, brilha por si.

No palco, seja entoando Seduzir, de Djavan, seja polindo a gema Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento e Fernando Brant, numa região vocal que traz no gene a mesma de Elis, ouvir Maria Rita é, a um só tempo, surpreendente e emocionante. Esfregando a saia com a suingada Lavadeira do rio de Lenine e Bráulio Tavares, sapeca com Só de você, do repertório de Rita Lee, lancinante com Tristesse, que gravou em dueto recente com Milton no CD Pietá, lançado em dezembro passado, a jovem – e já tão pungente – cantora desliza com facilidade e competência por entre as variadas vertentes da (boa) música brasileira.

Amparada por piano acústico, baixo elétrico e bateria durante pouco mais de uma hora de show, que teve como um dos pontos altos a homenagem que faz à mãe, ao cantar Menina da Lua (de Renato Motha) e levar boa parte do público às lágrimas, Maria Rita encerra a noite deixando no ar um resto de saudade, uma pontinha de dor e uma inabalável certeza: foi tudo real.

CD Milton Nascimento - Pietá
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