Duo Lua Branca resgata delicadeza das serestas
por Beto Feitosa

 Modinhas, valsinhas e uma delicadeza perdida no tempo. Na contramão da indústria dos milhões, o Duo Lua Branca lança o CD Serestas apostando na suave parceria de um violão e uma flauta.

O correto violão é da cantora e compositora Laura Campanér; a inspirada flauta de Mônica Camargo. A intimidade e afinidade musical das duas ficam evidentes em um disco de uma beleza ímpar.

O repertório mistura canções já bastante conhecidas, como o Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro, a festejada Lua branca de Chiquinha Gonzaga e ainda Dolores Duran em A noite do meu bem. Aposta e acerta quando traz para o universo seresteiro A banda, primeiro sucesso de Chico Buarque, ainda da época dos festivais de música.

Nessa faixa as duas contam com a percussão de Leandro Paccagnela, assim como na tradicional mineirice de Peixe vivo, no resgate de Nhô Pai em Beijinho doce e na inédita Filme triste, de Laura Campanér.

O resgate proposto pelo Dua Lua Branca é muito mais do que musical. A simplicidade da formação remete a um passado romântico em que instrumentos eletrônicos ainda não tinham vez e o grande palco era a rua, de preferência próximo a uma janela feminina.

Agradável e singelo, o CD não vai estar em nenhuma lista dos mais vendidos. Mas, com certeza, faz a diferença.

CD Duo Lua Branca - Serestas
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