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Leila Pinheiro responde
Leila Pinheiro - Acho maravilhoso por exemplo o casamento que o compositor, guitarrista e cantor Celso Fonseca faz da eletrônica com a música brasileira. Cheguei a experimentar algo nessa direção, mas sinceramente, "a minha alma está armada e apontada para a cara" do acústico. É por aí que eu caminho há 22 anos e penso que vou continuar caminhando. No meu CD Reencontro, o Márcio Miranda, meu parceiro nos arranjos do disco todo, me trouxe a informação eletrônica que acabou ficando no disco, discreta e certeira. No meu próximo trabalho vai haver uma pitada aqui outra ali do que possa significar esta fusão, mas nada radical. Leila - Vejo com muito bons olhos a chegada do Gil ao Ministério da Cultura. Sei através de amigos jornalistas que o que ele tem proposto como trabalho de base neste início de gestão é o que há de melhor e profundamente inovador, se associando a grandes pensadores da cultura, gente que pode contribuir de forma decisiva pra mudar de vez a forma de se pensar a respeito da cultura - o que me parece uma atitude sábia e bem-vinda. Não acredito em milagres e o buraco é muito fundo nesta área. Mas torço pra que ele consiga realizar algo compatível com a maravilha que é a cultura brasileira em suas múltiplas e infinitas formas de expressão.
Leila - Meu próximo disco será basicamente o disco de uma intérprete, privilegiando canções que me permitam cantar tudo que posso e sei. Terei o arranjador e pianista Lincoln Olivetti como parceiro na produção, a escolha das músicas é quase toda minha, e como você diz, com certeza está sendo criteriosa e séria como sempre. Ainda não gostaria de falar mais profundamente sobre o que virá porque só na próxima semana estará tudo definido. Leila - O Pará aparece sempre na mídia mas de forma mais discreta. Da minha terra, Belém, temos o Nilson Chaves, Jane Duboc, Vital Lima, Fafá de Belém, Billy Blanco, Lucinha Bastos, Walter Bandeira, Edgar Augusto Proença, Maria Lídia, Pedrinho Cavalero e tantos outros grandes artistas, músicos, intérpretes em atividade na cidade e pelo Brasil, espalhados. O que acontece é que para o Brasil o norte quase não existe, sendo misturado às vezes com o nordeste e assim se perdendo todas as maravilhas produzidas por lá, que ficam muitas vezes restritas à própria cidade. Mas nada que se compare ao que acontece na Bahia e entre os baianos. Eles são uma enorme família que se ajuda e é ajudada desde sempre. Eu os admiro por isso. |