Marina revê carreira para reencontrar público
Os elegantes arranjos acústicos valorizam a obra da compositora.

por Beto Feitosa
fotos do site Marina Lima

Depois de penar anos sofrendo por ter perdido a voz, Marina Lima vem tentando há alguns anos reencontrar seu público. O passo mais arriscado, corajoso e certeiro ela dá com seu mais novo recente projeto, Marina Lima Acústico, que a EMI colocou nas lojas a tempo do dia dos namorados e a MTV exibiu na sexta-feira seguinte.

As câmeras da MTV flagram Marina com um fio de voz, porém mais segura. E vestindo seus grandes sucessos com a elegância de sempre. O conceito desse projeto difere dos últimos trabalhos da cantora. No lugar dos sons eletrônicos e das músicas compostas no computador, Marina pegou o violão e mostrou suas criações de maneira mais crua. Provou mais uma vez que é boa compositora, e suas músicas resistem muito bem sem os enfeites pirotécnicos de um bom software.

A última vez que Marina caiu na estrada foi com o elogiado show Sissi na sua, um espetáculo teatral com marcações definidas, números instrumentais e cenário funcional. Dessa vez é a música que está em primeiro plano.

Tá certo que esse Acústico da Marina não é tão desplugado assim, mas qual é? Logo no início do show isso fica claro quando um teclado é estrela do solo em O chamado. Já em Pra começar, hit originalmente gravado em 1986, o casamento do violão com a percussão dá um clima quase de lual.

O primeiro convidado é o cantor Alvin L, que divide as vozes para cantar com Marina da inédita A não ser você. "Eu não nasci sabendo como me arrepender/Eu aprendi vivendo, amando até doer", diz a letra que Marina garante ter sido inspirado no repertório do grupo Los Hermanos. Quando canta Pessoa, de Dalto, faz uma citação a um hit de Byafra, Leão ferido e canta "sou um herói vencido".

Fernanda Porto, a bola da vez, dama do drun'n'bossa, assina o arranjo esperto e traz seu saxofone para cantar a deliciosa versão para Charme do mundo, desde já sério candidato ao hit parade. O colega de sempre Liminha traz seu baixo e põe um tempero extra em Fullgás. Esperta, também resgata Prestes a voar. Cantando rock e de pé, Marina parece se sentir à vontade e se solta mais.

O último convidado é Martinho da Vila, a quem Marina chama de "Dorival Caymmi do Rio de Janeiro". Para ele Marina reservou a inédita Arco de luz, parceria sua com o irmão Antônio Cícero. O samba cool de Marina é o ponto alto do show, provando mais uma vez que ao pop é permitido arriscar. Sem culpas.

Antes de se despedir, ainda dá de presente ao público um medley com dois de seus maiores hits: À francesa e Uma noite e ½.

CD Acúsico Marina Lima
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