Gigi Trujillo apresenta cabaré com música e bom humor

por Beto Feitosa

Bom humor é fundamental em tempos de guerras, desemprego, violência e tristezas afins. E Gigi Trujillo sabe disso; seu primeiro CD, pa pi ra pa, deveria ser recomendado como tratamento médico. Sem precisar de receita, o paciente pode se auto-medicar e o perigo de over dose é uma deliciosa gargalhada. Ótimo para limpar o fígado!

Esqueça tudo o que você já ouviu e não tente comparar. Gigi mistura música, poesia e uma boa dose de teatro. O espetáculo pode ser imaginado em um divertido cabaré. E as bonequinhas que ilustram o encarte dançam pelo palco e pelas coxias durante todo o tempo. Se é para buscar uma referência, os arranjos modernos lembram a escola da vanguarda paulista de Itamar Assumpção. Até pela falta de compromisso com tudo, menos com a arte.

O deboche é a tônica do disco com temas femininos como a quase infantil Sou uma mulher feliz, de Sérgio Turcão, na qual é acompanhada por uma orquestra daqueles bichinhos com apitos que as crianças tanto gostam.

Você não vai encontrar nenhum nome muito conhecido nos créditos. Mas vai descobrir pérolas como Faixa de pedestre, parceria de Gigi com Maurício Gusmão, que conta a história de um pedestre que se apaixona por um manequim de loja. "Eu não te toco porque não quero parecer ridícula". Ou ainda Errata suicida, que Gigi assina sozinha, assim como a singela Medidas.

A música de Gigi chega na simplicidade voz e violão de Ai. Mas nem pense em bossa nova. "Ai, ai, que medo/Que a vida seja mesmo tão rápida/E não dê tempo/pra fazer/tudo que eu tenho vontade". Também traz o samba transviado Vai lá bem, de Helena Cabral, tendo o eterno malandro como personagem. Mas ainda flerta com outro lado na louquíssima batucada eletrônica, que ela chama de "percussão industrial" em Vou casar no Uruguay.

Pa pi ra pá respira com vigor e bom humor. Altamente recomendado para quem anda cansado do notíciário e procura um contraponto instantâneo. Muita saúde mental!

CD Gigi Trujillo - pa pi ra pa
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