Em 1980, quando Virgínia Rosa debutava em disco, fazendo parte da banda Isca de Polícia que acompanhou Itamar Assumpção, Clara Nunes ganhava as paradas com o LP Brasil Mestiço, que trouxe o grande sucesso Morena de Angola.
Por essa época, Virgínia já prestava atenção na interpretação inteligente de Clara. "Antes de cantar com o Itamar e descobrir um som e um jeito novos de usar a voz, percussivamente, minha formação musical era fundamentalmente de canções, serestas, sambas... a vanguarda veio depois, assim como o jazz e a opéra ", lembra. "Gosto da diversidade. Meu repertório reflete isso e, embora Clara Nunes seja mais conhecida como sambista, ela cantava todos os estilos e muito bem", completa com toda razão.
Virgínia sabe que a obra de Clara Nunes sempre esteve a sua volta. "Posso dizer que ela foi uma das cantoras que me influenciou. Sempre achei que tínhamos em comum a diversidade de repertório e um jeito muito brasileiro de cantar", compara. Mas o encontro efetivo da voz de uma com o repertório de outra só aconteceu nesse ano, quando Virgínia foi convidada pra participar do projeto ABC do Samba. "Achei que podia fazer um show homenageando essa grande cantora", comemora.
E o show nasceu. Depois de passar pelo Rio de Janeiro e algumas cidades do interior paulista, chega na capital em uma temporada de um mês. Todas as quintas de julho, Virgínia Rosa apresenta no Supremo Musical o show Esse teu cantar, com um repertório que passeia por várias fases de Clara Nunes.
Com o auxílio luxuoso e intimista de Dino Barioni (violão) e Douglas Alonso (percussão), Virgínia traz Clara em sucessos inesquecíveis como O Mar Serenou (Candeia), A Deusa dos Orixás (Romildo/Toninho), Que Seja Bem Feliz (Cartola) e Ai Quem Me Dera (Vinícius de Moraes).
Conheça aqui o repertório do show!
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