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A cantora é a mesma, mas as roupas são outras Zélia Duncan canta sambas e choros em show intimista
por Beto Feitosa
No título do show Zélia Duncan dá a pista de que se transforma em outras. Mas, na verdade, ela se mostra um pouco mais, se despe do repertório pop e assume sambas e chorinhos que ouvia na infância com sua mãe.
Logo ali na frente é a mesma cantora de Catedral, a mesma parceira de Rita Lee em Pagu, a mesma compositora de Enquanto durmo. Mas Zélia consegue ir além das cantoras pop com sua inteligência e cultura. O sucesso com um público tão heterogêneo prova que sim, conteúdo faz diferença. Nas mesas do Centro Cultural Carioca podemos tanto ter a ilustre presença de Hermínio Bello de Carvalho quanto da garotada dos inúmeros fã-clubes da cantora. Todos se divertindo e se deleitando com as canções em perfeita harmonia. Hermínio não segura o sorriso ao se deliciar quando ouve Doce de coco, parceria sua com Jacob do Bandolim. Como essa música é presença constante nos shows de Zélia, a garotada acompanha como se fosse um lado B da cantora. Outra já velha conhecida de quem freqüenta o repertório alternativo de Zélia é Sábado em Copacabana, que a cantora gravou ainda assinando Zélia Christina, em 1993, no Songbook Dorival Caymmi, produzido por Almir Chediak, a quem dedica o número.
Zélia abre o show com Quem canta seus males espanta, e transforma Itamar Assumpção em um heavy samba. Depois passeia por músicas inesquecíveis como Disfarça e chora, Linda flor, Onde a dor não tem razão e mais 19 números de sua memória afetiva. O prazer da cantora é evidente. "Esse é um show diferente, não estou lançando disco, não estou divulgando nada", anuncia. Ali, é a música pela música, o essencial. |