Picassos Falsos caem no samba
A banda de Humberto Effe já flertou com o ritmo em último disco
por Beto Feitosa

O Picassos Falsos nunca esteve entre as bandas mais badalados do B-rock. Emplacou dois ou três hits no meio dos anos 80, como Carne e osso e Quadrinhos e lançou apenas dois LPs. No segundo, Supercarioca (BMG, 1988) citava Noel Rosa na faixa Desejo. Mas o Picasos marcou sua história com a qualidade de suas músicas, bem mais elaborada que o rock ingênuo da turma dos anos 80. Dentre os grupos da década, eles foram um dos poucos que tiveram a coragem tropicalista de aceitar influências e informações de outros estilos, o que pouco depois voltou ao baile com as bandas do mangue beat.

A banda se desfez logo depois do segundo disco. O vocalista Humberto Effe chegou a lançar um álbum solo pela Virgin em 1995, no qual recriava De frente pro crime, de João Bosco, e cantava até a inacreditável Farofa-fá.

E agora a formação original se encontra novamente. O Picassos chega em 2003 com um novo show, que está sendo apresentada na Melt, na zona sul carioca. Engana-se quem pensa que é mais um projeto acústico para tentar requentar repertório. Nesse show, a banda cai no samba e apresenta clássicos como O x do problema (Noel Rosa), Morena de Angola (Chico Buarque) e Bata com a Cabeça (Paulo da Portela). Espertos, pesquisaram um repertório quase esquecido e trouxeram músicas como Só o ôme (Noriel Vilela) e Que besteira (João Donato).

A banda aproveita a temporada para receber os amigos. Para o show do próximo dia 24 de julho, Dado Villa Lobos, Thalma de Freitas, Bia Grabois, o DJ Lucio K e a sumida Cris Braun vão dar canjas especiais.

Para setembro, a banda promete CD e DVD com repertório inédito.

CD Picassos Falsos - Hot 20
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