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Música brasileira sim senhor! Clarisse Grova e Felipe Radicetti usam instrumentos eletrônicos para fazer música brasileira.
por Beto Feitosa
É Felipe quem cuida das programações e pilota toda a nave. E é Clarisse quem dá o tom certo para interpretar as músicas com um lindo vozeirão de preencher qualquer espaço vazio. "Será que o meu texto é bobagem/Que eu não entendi o que disse Caetano, Buarque, Noel", pergunta Clarisse em O tal trem. A resposta está tanto nessa como em qualquer outra música do disco: o trem deles é uma linha evolutiva, sim. Mas a parada é a mesma dos mestres de ontem e dos discípulos de hoje. "Será que isso tudo é modernidade/Será que isso tudo é amor de verdade/Será que será/Onde é que isso vai dar...". Ainda bem que eles deixam espaços para dúvidas e não se acomodam nas fórmulas fáceis do marketing musical. Criam, logo existem artisticamente. "Eu desenho um traço e vou (...) Na fusão me eternizo, indiviso, sigo além", dizem em outra música, Indiviso. Esse mesmo campo já foi explorado por artistas como Verônica Sabino, Moska e Cris Braun. Todos com excelentes resultados mas, infelizmente, com poucos seguidores. Pode parecer fácil, mas para não cair na armadilha do mau gosto e dos exageros é preciso rebolar. E saber o que está fazendo. Clarisse e Felipe sabem.
Há espaço desde um delicioso tango dramático de Felipe com Marcelo Biar, Senhora até a bossa cool Coração, de Clarisse. O banquinho pode estar lá, é indiferente. E o violão de Chico Adnet divide espaço com a programação de Felipe. As participações especiais entraram como um complemento. Logo na primeira faixa, Rude pedra, a guitarra de Victor Biglione dá o tom de ira. "Chega de me perseguir/De tentar me conter/De tentar me impedir". Para o palco, eles levam ainda os violões e as percussões criativas de João Cantiber. Mas a base do trabalho é feito em dupla. E o resultado é surpreendente e envolvente. Para se degustar de ouvidos abertos. |