Esqueça o convencional. Para ouvir Olívia é preciso ouvidos abertos e cabeça desligada de rótulos. Afinal, qual o estilo? MPB? Pop? Eletrônica? Em seu segundo CD, Perto, Olívia se aproxima mais da MPB tradicional. Mas de tradicional seu trabalho não tem nada.
No primeiro CD, Olívia dividia composições com André Namur e Paulo Preto. Em Perto a cantora assina sozinha algumas. Mas a maior parte do trabalho é feita em dupla com Paulo, que trouxe letras como as de A inveja, Nas asas da música e Trip.
Seu primeiro trabalho saiu pela Trama há três anos e acabou ficando de lado nas prioridades da gravadora que se estabilizava. Assumindo a dianteira de sua carreira, Olívia trocou o conforto de uma estrutura pela liberdade de uma produção independente.
Toda a gestação foi feita por Olívia e Paulo no estúdio dele. Músicos convidados, arranjos feitos em casa e a única interferência externa veio na hora da distribuição, quando o trabalho já estava pronto. Olívia participou e colocou a mão na massa em todos os momentos, desde a criação das músicas, captura do som e mixagem no Pro Tools. O "filho" acaba nascendo com a cara dos pais.
A voz doce, colocada e simpática passeia na frente de bases programadas e instrumentos acústicos. Ela pode cantar uma dor de amor como em Conchas do mar ou a volta da esperança em O claro dos relâmpagos. Tudo faz sentido e tem um propósito.
O amor é tema recorrente em todo o CD, mas as baladas românticas com refrões-chiclete não tem vez. Em Pra poder me guiar procura "um carinho de um raio, claro, no meio da densa névoa". Na faixa-título, Perto, garante: "Sobrou um caco de amor/Que corta a carne/E a dor me traz a fome/Que eu não quero ter".
Controlando todo o processo de sua arte, Olívia fez um CD coeso e coerente. Inteligente e esperta, trilha seu caminho aos poucos em uma via alternativa que, mesmo sendo mais difícil e trabalhosa, o retorno é válido. Uma música feita sob medida para tocar na rádio é descartável, cai logo no esquecimento quando o novo Top 10 elege os deuses da semana. Olívia não quer isso. Ela procura o público que queira ouvir sua música. Assim, aos poucos, vai conquistando e encontrando seu espaço.