Artesanato musical
Ana Carla faz CD caseiro

por Beto Feitosa

Com jeitinho meigo, despojado e carioca de ser, a cantora e compositora Ana Carla gravou seu disco em casa, cercada de amigos e boas intenções. São 10 faixas, todas compostas e concebidas por ela, que ganharam arranjos e acompanhamento de Victor Teixeira.

Na capa, o olhar entre os Arcos da Lapa enxerga um Rio de Janeiro informal, longe de grandes produções. A arte e a criação são a essência do trabalho, que não precisa se esconder atrás de muitos instrumentos. Artesã da música e das máscaras de carnaval, na hora de apresentar seu trabalho prefere mostrar a cara limpa.

Na infância Ana Carla ganhou uma harpa e descobriu as notas de Asa branca. Na adolescência, participou de concursos de poesia e pensou em ser atriz. Estudou na Cal em 1994 e, hoje, utiliza a técnica de teatro para interpretar suas músicas.

Ana chegou a cantar em bares e fazer parte de uma banda de rock. Mas sentiu a necessidade de desenvolver um trabalho próprio. Entre os livros de Clarisse Lispector, Hilda Hist e Tenesse Willians, começou a juntar seus próprios versos e musicar suas letras. A insegurança do início encontrou um porto mais firmeo quando compôs Trem da vida, última e das mais interessantes faixas do CD.

Como diz em uma de suas composições, "saber viver é pra quem tem coragem/e o coração aberto para o que der e vier". É assim, transparente e honesta, que ela começa a construir sua carreira. Na calma de quem faz um trabalho artesanal e sem maquiagens. De cara limpa.

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