Demonstrando alegria e confiança, Gal Costa chegou de Nova York direto para uma série de entrevistas, chats, programas de TV e toda uma maratona para divulgar seu novo CD.
Todas as coisas e eu traz uma cantora segura em músicas que garante conhecer desde a infância. "É um repertório que me acompanhou na vida inteira. Nem tive trabalho de decorar, já sabia todas as letras de cor", entrega. Produzido pelo mago das trilhas sonoras, Mariozinho Rocha, Gal apostou em músicas como Linda flor, Ave Maria no morro e Folhas secas.
O set list de Todas as coisas e eu é mais do que conhecido e não aposta na batida "modernização" de clássicos. Os elegantes arranjos valorizam a interpretação de Gal Costa. E ela ressalta que não gosta da cobrança da imprensa. "Não tenho obrigação de gravar músicas inéditas e nem de descobrir autores novos", desabafa.
Com uma dicção perfeita e clara, que ela atribui a uma influência de Frank Sinatra, Gal Costa imprime seu estilo de bossa cool aos samba-canções já gravados por Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Dick Farney e outras grandes vozes. A cantora não vê aí uma atitude acomodada, muito pelo contrário. "É ousado pegar esse repertório e colocar a minha marca pessoal. As músicas ganharam um espírito novo, e o disco ficou jovial, alegre", aposta.
A cantora garante que o desentendido que levou ao cancelamento do show no qual seria gravado o disco ao vivo não a afetou. E ainda conta que a idéia original era fazer mesmo em estúdio e o show era um pedido da gravadora, que queria gravar um DVD. "No início fiquei frustrada, mas quando entrei em estúdio tudo passou. Quando eu canto é como se levitasse, saio do chão. E isso me faz superar problemas", conta uma orgulhosa Gal Costa.
Para o início de 2004, Gal pretende levar o disco para os palcos, na mesma concepção do trabalho interrompido. Despretensioso e valioso,Todas as coisas e eu tem de tudo para ajudar a selar as pazes da cantora com crítica e público. Não tem como não gostar e ouvir de novo. De volta ao começo.