Esse tal de balacobaco
Rita Lee mistura hits do passado, presente e futuro no novo show e volta ao Canecão para mais dois shows

por Beto Feitosa

O rock tropicalista foi ela quem inventou, o pop verde amarelo foi criado por ela. Nada mais justo que Rita Lee ser mãe, madrinha, avó, tia... o que quiser da música moderna brasileira. Essa festa de comemoração já dura 37 anos e não dá sinais nem de parar pra descanso. Começou em 1967 com Gilberto Gil e Os Mutantes e ainda continua hoje, ao lado da família que criou.

O sucesso de público, crítica, rádios e baladas de Balacobaco, seu 31o disco de carreira, não surpreende. Mesmo nos momentos em que a carreira andou em baixa, Rita nunca esqueceu a alegria e o bom humor. Seus shows nunca deixaram margens para dúvidas; o fôlego é de quem está começando e tem muitas novidades ainda na manga.

Mas janeiro de 2004 chega com a primeira moda do verão: o show do CD Balacobaco estréia no Rio de Janeiro cheio de expectativas, surpresas e felicidades. Em uma noite inesquecível, Rita Lee divertiu a platéia que lotou o Canecão. Rita agrada até quando esquece a letra das músicas, o improviso é genial e tira a roqueira de qualquer saia justa. O grande sucesso de público da primeira temporada traz Rita de volta para mais dois shows no Canecão nos dias 19 e 22 de janeiro.

Só quem tem história pra contar e uma obra pra cantar pode se dar ao luxo de construir um set list com sucessos lançados em épocas diferentes que vivem até hoje. No relicário musical de Rita cabem hits com Top top (1971), Ando Jururu (74), Ôrra meu (80), Doce vampiro (79) Perto do fogo (90). Em On the rocks (83) volta a tocar a velha flauta, que estava na gaveta desde o show Bossa and roll (91). Prova de que nem tudo vira bosta.

Mas Tudo vira bosta, o rock de Moacyr Franco, é uma das músicas que mais empolga o público, que canta o refrão: "um dia depois, não me vire as costas/Salvemos nós dois, tudo vira bosta". Amor e sexo, que ganhou rádios e emplacou na trilha sonora da novela das oito, também é acompanhada por todo Canecão em uma versão mais sacana.

O pé na história sustenta, o sucesso atual não falta, mas o olho de Rita é no futuro próximo. E uma enquete em seu site oficial (www.ritalee.com.br) ajuda a escolher a próxima música de trabalho. De olho nos resultados, no palco mostra As mina de Sampa, Copacabana boy, Gripe do amor, A fulana e a faixa-título, Balacobaco. Para cantar o Hino dos malucos, Rita se veste de Chacrinha e promove uma verdadeira zona musical, com direito a buzinadas e discurso nonsense. Mas com o maior sentido, ou não.

O cenário é simples e reproduz o fundo do relicário que ornamenta a capa do CD. Na banda, além do maestro Roberto de Carvalho (guitarra) dando o tom certo para cada compasso, Rita tem de volta o filho Beto Lee em outra guitarra. A família é de feras: Dadi (baixo), Cláudio Infante (bateria), Ari Dias (percussão), Rafael Castilhos (teclado) e Débora Reis (vocal). Tudo perfeito para Rita se soltar e brincar durante todo o espetáculo.

Balacobaco é a sensação do verão 2004. Rita Lee é mais duradoura, dita as regras e faz seu tempo. Ser moderno não é ser atual, é ser atemporal. E isso é para sempre.

SERVIÇO
Canecão: Av. Venceslau Brás 215, Botafogo
Segunda (19) e quinta (22), às 21h30m.
preços: R$ 35 (pista), R$ 45 (poltrona numerada), R$ 80 (setor B e balcão), R$ 90 (frisa central) e R$ 100 (setor A).
informações: (21) 2543-1241.

CD Rita Lee - Balacobaco
CD Rita Lee - Brasil de A a Z
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