Erasmo Carlos reverencia Santa música
Novo trabalho não traz nenhuma parceria com Roberto Carlos

por Beto Feitosa

Em seu novo CD Erasmo Carlos reverencia a profissão com a paixão de quem faz o que gosta. Santa música é seu primeiro trabalho de composições inéditas desde o bem sucedido Pra falar de amor (Abril Music, 2001).

A capa mostra as mãos de Erasmo abrindo uma bíblia e encontrando uma partitura. Como adolescentes que escondem gibis dentro do livro de ciências, o compositor deixa clara sua devoção pela carreira e pela arte.

São 12 músicas que passeiam pelo universo pop/rock que Erasmo sabe fazer muito bem. Compositor plural, as santas músicas do roqueiro sessentão passeiam pelo folk, baladas, funks, foxes, tins e bens e tais, como diria Caetano.

Em uma das faixas, Tim, Erasmo bate um papo com o velho amigo: "Quem sabe sai até um novo hit quando a gente se encontrar", arrisca. Na maioria das músicas, como Gosto de tudo das mulheres, repete a homenagem de Mulher, que compôs em parceria com a mulher Narinha nos anos 80.

A primeira coisa que chama atenção no CD é mesmo a fala da dobradinha bissexta com Roberto Carlos. Em Santa música Erasmo assina sozinho todas as faixas. O estilo de Erasmo continua o mesmo, inabalado; a maior falta e surpresa é a ausência do nome do parceiro no encarte. Um ouvinte mais desatento, sem procurar os créditos dos compositores, pode nem sentir a falta do parceiro, já que artisticamente não houve nenhuma mudança.

Quando os dois começaram a dobradinha histórica, na época da jovem guarda, o repertório era parecido e afim. Com o tempo, Roberto foi se distanciando do pop e se tornou o rei das baladas açucaradas. Erasmo sempre continuou com seu blusão de couro fazendo o que pode chamar de pop folk. "Sou o único roqueiro cujo instrumento predileto é um violão com cordas de nylon", disse no release distribuindo para a imprensa.

Erasmo também passeia pelo romantismo, mas de sua própria maneira. Como na música que abre o CD, Lero-lero, que diz "Vem tocar comigo os sinos da paixão/Se não formal de TPM/Só pode ser malcriação". Já na faixa título, Santa música, a declaração é para outra paixão da vida do compositor, mas chega também no amor, seu assunto predileto. "Não há sabedoria/Na nudez da melodia/Sem notas não consigo imaginar/O mundo só cruel/Dissonante e assustador/Sem música na vida/O que seria do amor?".

Para falar sobre seu novo CD, segundo ele o que mais o deixou feliz desde os anos 80, Erasmo receberia a imprensa hoje (5 de fevereiro) para uma entrevista coletiva. Com o falecimento de sua mãe na madrugada anterior o compromisso foi adiado. Mas as músicas falam por si. Santa música espalha sua alegria, mesmo em um dia triste para seu criador.

CD Erasmo Carlos - Santa música
CD Erasmo Carlos - Mesmo que seja eu (caixa)
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