Antes do show não há muito o que dizer. Depois do show provavelmente não haverá. Impossível definir, classificar, estabelecer parâmetros e mesmo impossível é imaginar o que pode acontecer quando uma tríade de talentos do quilate de Hermeto Pascoal, Guinga e Paulo Sérgio Santos se encontra, ao vivo, à vera, no palco. Os três compositores abrem hoje, em duas únicas apresentações, a série de shows que ocupa o Teatro II do Centro Cultural do Banco do Brasil no Centro do Rio. Quem batiza a temporada é mestre Aldir: "Até Pinico Dá Bom Som", com verso do baião de Guinga que homenageia Hermeto, "Chá de Panela". Sim, para o poeta, penico é pinico mesmo.
Os três músicos já se conhecem de longa data, fato que contribui para que a intimidade musical corra tão solta quanto a criatividade de Hermeto, tão absurda quanto o dedilhado de Guinga e tão inesquecível quanto o sopro de Paulo Sérgio. O repertório só Deus sabe, mas há planos de se apresentar: "Paulinetando", composto por Paulo Sérgio Santos e "Montreux", dele e de Guinga, composta neste Carnaval, especialmente para este encontro. Já Hermeto promete compor algo no palco, à queima-roupa. O céu é o limite.
Até Pinico Dá Bom Som acontece todas as terças-feiras de março no CCBB Rio, com duas apresentações: às 12h30 e às 18h30. O projeto recebe também Naná Vasconcelos (dia 09); Uakti (dia 16); Badi Assad (dia 23) e Barbatuques (dia 30). O CCBB fica na Rua Primeiro de Março, 66. O telefone para informações é (21) 3808.2020
Cinco rodadas da melhor música brasileira: percussiva, intuitiva, criativa, definitiva.