ELZA SOARES + MUGOMANGO
Mugomango é um projeto eletrônico de Arthur Joly, programador e tecladista dos grupos Tchucbandionis e Laboratório e boss do selo independente Reco-Head. Em seu álbum eletrônico solo, Elétrico Brasil 2002, e no próximo, Elétrico Brasil 3003, ele revalida as sonoridades brasileiras e mundiais de outras décadas, particularmente a de 70, a partir de estilos contemporâneos como o drum'n'bass e o electro. A grande dama da música brasileira Elza Soares (laureada na Inglaterra como "a cantora do Milênio"), vinha de um de seus álbuns mais interessantes, Do Coccix Até O Pescoço, um dos melhores de 2002, quando se encontrou com o Mugomango sobre um carro de som na Parada da Paz de São Paulo. O encontro se repetiu no festival com:tradição na mesma cidade em 2003, e gerou o convite para que Jolly produzisse o álbum que reafirma a fase mais explosiva da diva, arranjado, gravado e lançado nos quatro meses seguintes. Vivo Feliz surpreendeu a crítica e o público pelo seu vigor e atemporalidade, e traz Elza de volta à consagração popular.
MOISÉS SANTANA
"Um oásis" para a Veja. "Muitas idéias e muita ousadia" para Maurício Kubrusly. "Um letrista de mão cheia" para a IstoÉ. Foi com esse entusiasmo todo que o CD Moisés Santana foi recebido, em dezenas de críticas publicadas na imprensa nacional. A música de Moisés Santana, que é baiano e mora em São Paulo há mais de uma década, mixa ritmos brasileiros com rock, funk e eletrônica. Outro destaque são as letras que, bem-humoradas e às vezes irônicas, mostram o mundo contemporâneo com suas paixões, dúvidas e incertezas. Moisés lançou em 2003 um CD de remixes das faixas do primeiro, com Instituto, DJ Dolores, DJ Roger Moore, Cidadão Instigado e outros retrabalhando seu material. No show apresenta repertório próprio, além de novos arranjos para "Quando", de Roberto Carlos e "Alegria" de Assis Valente, entre algumas recriações. O ótimo compositor também pinça pérolas da MPB com muito gosto.
TRIO MOCOTÓ + BOSSACUCANOVA
É incrível constatar que uma mesma banda esteve por trás de momentos extremamente criativos de Jorge Ben e de Vinícius, de Chico Buarque e de Erasmo Carlos, e de vários outros grandes nomes da MPB, entre o final dos anos 60 e meados dos 70. Tudo isso intercalado com alguns hits assinados por eles mesmos. Formado por João Parahyba, Fritz Escovão e Nereu Gargalo, os mestres irresistíveis do samba-rock, o trio voltou para reinvidicar o seu legado, numa época em que o som black daquele tempo é redescoberto e revalorizado, no Brasil e no mundo. Agora com Skowa (ex-Máfia) no lugar de Fritz, eles recebem os cariocas do BossaCucaNova no com:tradição. Esse é um projeto dos produtores e engenheiros de som Alexandre Moreira, Márcio Menescal e DJ Marcelinho da Lua, que começaram brincando de remixar faixas da Bossa Nova ao modo do Acid Jazz gringo. Com o sucesso internacional, o BCN se converteu numa animada banda ao vivo, e recentemente "repaginou" o trabalho do grande violonista Roberto Menescal (pai de Márcio), no álbum Brasilidade.
CURUMIN
Aos 27 anos, Luciano "Curumin" Nakata já pode ser considerado uma espécie de veterano, atuando no circuíto musical paulistano desde os 17. Foi como baterista que ele apareceu, na banda Zomba (com a cantora Paula Lima), passando depois por trabalhos com MPB e black music (com o DJ Hum entre outros), até ser chamado por artistas como Arnaldo Antunes e Andrea Marquee, se apresentando no Brasil e na Europa. Mas Curumin é multiinstrumentista: toca violão e guitarra, baixo, piano e teclados, e também vem surpreendendo como vocalista, compositor e arranjador. Sua mistura de black music com ritmos brasileiros, sobretudo o samba, é marcada por influências positivas como Jorge Ben, James Brown, Tom Zé, o soul da gravadora Motown, Novos Bahianos, hip hop, e especialmente Stevie Wonder. É o que se ouve em Achados E Perdidos, seu refinado álbum de estréia.
MARIA ALCINA + BOJO
"A banda formada por Kuki, Fê, Maurício e Du Moreira teima em se achar MPB, mas sempre acaba nas gôndolas de eletrônica". É assim, de maneira brincalhona, que o Bojo explica como sua predileção simultânea pela eletrônica e pela música brasileira se converte em um resultado sempre orgânico, vibrante e fluente. Seu terceiro álbum foi o Vocabulário - Setenta Palavras Para Descrever O Mundo, uma coleção de 70 micromúsicas, cada uma inspirada por uma palavra essencial. Após essa trip conceitual, só a alegria incontida da festeira Maria Alcina, a própria face da híbrida música brasileira dos anos 70, com sua pegada moderna e teatral do samba, para lançar a banda a níveis inéditos de criatividade. O resultado quase instantâneo do encontro no festival com:tradição de São Paulo em 2003 foi um álbum sensacional. Em Agora Alcina e o Bojo abordam um repertório inédito, relêem "Sangue Latino" dos Secos & Molhados e "Eu Dei" de Ary Barroso, entre outras gemas, e finalmente atualizam o inesquecível megassucesso de Alcina "Fio Maravilha".
WADO
Quando o álbum Manifesto Da Arte Periférica, de 2001, começou a circular, surgiu também o entusiasmo em torno do nome de Wado. Nascido em Santa Catarina e criado em Alagoas, o cantor é uma das mais gratas promessas do rock e do pop mesclados ao suíngue brasileiro neste novo século. O Manifesto... colheu elogios e figurou em listas de melhores álbuns daquele ano da crítica especializada no país. O disco de estréia foi seguido no ano passado pelo ótimo Cinema Auditivo, que confirmou a consistência do seu trabalho, sugerindo conexões não apenas com a linhagem do samba-soul brazuca de Jorge, Gil, Tim e Hyldon, mas também com um certo lirismo dos mineiros (Beto Guedes, Lô Borges) e, através deste, até com o pop inglês sessentista. Wado toca no com:tradição 2004 do Sesc Copacabana já na preparação de seu aguardado terceiro disco.