Cesar Camargo Mariano está no Brasil lançando o DVD Piano e voz, em que divide o palco com o seu filho, Pedro Mariano (clique aqui e assista a um trailler) , e finalizando a recuperação do LP que juntou Elis Regina e Tom Jobim. Nessa entrevista ele fala sobre esses assuntos, música brasileira nos Estados Unidos e Maria Rita.
ZiriGuidum - Você já dividiu palco com Elis Regina, agora foi com o filho de vocês. É bom tocar em família?
César Camargo Mariano - É legal sim, gostoso, sem dúvida. Mas o lado profissional fica mais forte e você esquece essas coisas. De vez em quando cai a ficha e você vê aquele carinha que está ali do lado andando pela sala de fralda... e dá um susto! A emoção é dupla. Profissionalmente, o Pedro enriqueceu muito e rapidamente. Eu tenho cinco filhos e todos ótimos profissionais da área. Trabalhando no palco com o Pedro a força dele me impressiona. Especialmente em um show piano e voz,ele sentado em um banco ao lado do piano, sem dançar. No entanto é muito forte. A própria formação de duo permite que a gente improvise bastante. De início eu ficava me policiando , mas para ele não tem tempo quente. Ele improvisa junto e é rápido.
ZG - Esse CD teve uma preparação grande ou foi apenas registrar o que vocês já faziam em casa?
CCM - O CD teve um estudo muito grande especialmente em repertório. Ficamos uns três meses trabalhando nele, escolhendo, procurando os conceitos... a gravação foi mais rápida. A gente gravou tudo em onze dias, foi uma música por dia. E tudo em família. Ficamos eu, Pedro e o Marcelo Mariano, que co-produziu. Ficávamos sentados no chão do estúdio conversando, ouvindo e gravando. Esse trabalho deu mais liberdade pra gente na hora de ir para o palco.
Durante as gravações o diretor do DVD ficou colado com a gente,também dando sugestões e registrando tudo. A gente tem esse material guardado e pode lançar isso em breve.
ZG - Maria Rita morou com você durante oito anos. Você esperava que ela fosse estourar assim?
CCM - Nem ela esperava. Não estava nos planos,foi uma surpresa grande. Mas todos os meus filhos são muito talentosos.
ZG - Você morando nos Estados Unidos acaba não se apresentando muito pelo Brasil...
CCM - Pelo menos uma vez por ano fico dois ou três meses aqui e faço alguns shows. No ano passado me apresentei com a Orquestra Sinfônica de São Paulo. Esse ano vai ter bastante, em julho faço alguns concertos em duo com o Romero Lubamo, além de umas apresentações de piano solo.
ZG - Morando fora, como é seu contato com a música brasileira? Você se considera antenado com o que está acontecendo?
CCM - Totalmente, só faço isso lá,vivo de música brasileira. O consumo lá é muito grande, todo mundo gosta. O jazz é muito influenciado pela música brasileira, então em todos os concertos e discos têm música brasileira. O pop nem tanto, mas o erudito e o jazz eu estou sempre ouvindo e fazendo. Eu já estou lá há dez anos, mas costumo brincar com os amigos dizendo que a impressão que tenho é de que só mudei de bairro.
ZG - Você está preparando uma nova masterização do LP Elis & Tom, que é um de nossos clássicos modernos. Qual o cuidado na hora de trabalhar em cima de uma obra prima?
CCM - Peguei o som original e mixei de novo no formato de hoje, com o som de hoje. Eu e o João Marcelo Bôscoli batalhamos muitos anos para fazer a recuperação desse álbum, que é tão especial e importante na vida de várias pessoas. Esse tape estava guardado há trinta anos, e isso estraga a fita. Só sobrou o master de um CD que foi gravado do disco. Esse trabalho que a gente fez leva muito tempo. Só na mesa mixando eu fiquei quatro meses, fora o trabalho anterior de recuperação dos tapes. Não é remix, não tirei e nem coloquei nada novo. O que estava no original ficou, só que com a qualidade de hoje e a possibilidade da gente perpetuar digitalmente. Quero fazer esse trabalho com todos os discos da Elis em que eu participei.