Maria Alcina encontra Bojo e garante a festa
O divertido e bem sucedido encontro surpreende e é remédio para o mal humor

por Beto Feitosa

Encontros musicais inusitados podem virar um desastre total com todo mundo desconfortável e sem saber onde está pisando ou pode rolar a tão famosa química e o som acontecer. No caso de Maria Alcina e o grupo Bojo, além da química, rolou uma festa. A dobradinha parece que já estava sendo esperada e ensaiada pelos dois lados. Mas não, a explosão foi mero acaso, talento e sintonia. Estava escrito nas estrelas.

A história dos dois é bem diferente. Maria Alcina é mineira de personalidade forte e vozeirão exótico. Ficou nacionalmente conhecida em 1972 quando ganhou o Festival Internacional da Canção com Fio Maravilha, de Jorge Benjor. Em plena ditadura respondeu a um processo por "comportamento subversivo". Coisas de uma época em que era crime ser diferente. Nos anos 80 freqüentou o programa de Silvio Santos e parecia esquecida até ser convidada pelo Bojo para um show, que seguiu estrada recebendo elogios de todos os lados.

O Bojo já vinha de uma história de três CDs lançados com um som eletrônico beirando o experimental. Fundado em 1998, se apresentou em várias cidades brasileiras e chegou a tocar no Canadá com sua mistura de pop, jazz e música brasileira, tudo temperado por samplers e sintetizadores. O grupo é formado por Maurício Bussab e Fê Pinatti (samplers, sintetizadores e efeitos), Du Moreira (baixo) e Kuki Stolarski (bateria).

O CD que marca esse encontro se chama Agora, mas passeia por repertório já conhecido em músicas como Filho Maravilha, Sangue latino e Eu dei. A nova Carmen Miranda de Alcina tem vozes distorcidas e o mesmo humor de sempre.

Sem se preocupar com revisões, grande parte do CD é de músicas inéditas. A letra da faixa-título, composição do Bojo, traz versos como "Se quiser cantar, cante agora", "Beba o futuro já" e "Não deixe o tempo te deixar pra trás".

Outra curiosa composição do grupo se chama Kataflan e já vinha sendo cantada nos shows do Bojo, mas ganhou nova força com a interpretação de Maria Alcina. Ainda na farmácia musical, interpretam Tarja preta, de Wado e Nervokalm, homenageando um calmante fictício que o pai da Mafalda tomava nos quadrinhos.

O verdadeiro remédio é o encontro. O mal humor é derrotado e o encontro uma celebração. Faz bem para Bojo, faz bem para Maria Alcina, faz bem para a música brasileira, faz bem para quem escuta e para quem assiste. O show é imperdível. Uma explosão... e um gol!


O que você espera de encontros como o de Maria Alcina e o grupo Bojo?

CD Maria Alcina e Bojo - Agora
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