Fernanda Abreu pede paz
Novo CD da cantora traz discurso pacifista em tempos de guerra civil

por Beto Feitosa

Em tempos de briga de traficantes, guerra civil, cabeçadas entre artistas e luta em boates, Fernanda Abreu faz de seu novo CD um documento pacifista. A arma é a música, o tiro certeiro é o samba funk, reinventado criativo e sempre novo.

Na capa de Na paz, criada pelo marido e dsigner Luiz Stein, a cantora aparece empunhando duas armas com flores no lugar das balas. Fernanda continua sangue bom. O CD vem em uma luxuosa embalagem que chama atenção pelo bom gosto e boa sacada: dependendo do ângulo em que se olha se vê uma imagem diferente. Em uma Fernanda aponta duas armas, na outra percebe-se que a munição são flores.

A primeira música que ganhou as rádios foi Eu vou torcer, obscura de Jorge Benjor gravada originalmente em 1974. A mensagem é mais atual do que nunca. "Eu vou torcer pela paz/Pela alegria, pelo amor".

Na faixa seguinte Benjor volta, dessa vez de corpo e voz presentes, para cantar com Fernanda Zazuê, composição dela com seu parceiro e produtor Rodrigo Campello e Jr. Tostoi bem ao clima do convidado. "Zazuê quer ser uma espécie/De Charles Anjo 45/O Robin Hood dos pobres/O rei da malandragem/Mas o tempo passou, mo morromudou/O asfalto mudou, a cidade mudou/E o futuro de Zazuê todo mundo conhece/O seu destino já está escrito", diz o retrato de uma cidade que já anda bem além dos 40 graus.

Quem também junta vozes a Fernanda para pedir paz é Martinho da Vila. Brasileiro, a faixa que abre o disco é do cantor alagoano Teta Lando e ganhou adaptação de Fernanda Abreu para a aproximar do Brasil. A união das línguas portuguesas ganhou o aval de Martinho da Vila, que conhece bem Angola. Em uma babel musical, Fernanda convidou Eumir Deodato para fazer os arranjos da orquestra regida por Jaques Morelembaum. Violinos, cellos, programações e scratches se juntam em um samba libertador. "Mas o que interessa é sua vontade de fazer o Brasil melhor", diz a letra.

Fernanda Abreu também convidou Mart'nália que lembra Elza Soares em Sou brasileiro. Ivo Meirelles encaixa um rap em uma música que pode ser sua biografia e diz "o mal das cidades não tá nos barracos/e o rei sem reinado mostrou pra você". Na paz.


Qual a sua arma para pedir a paz?

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