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Um clássico intocávelÁlbum Elis & Tom ganha tratamento de luxo por Beto Feitosa
Uma obra prima é, por conceito, intocável. Ainda mais em se tratando do registro de um momento único: o encontro de dois dos maiores gênios da música brasileira. Elis Regina e Tom Jobim dividiram em 1974 um álbum que, de cara, entrou para a história como um clássico moderno, uma referência quando se fala de música brasileira.
E trinta anos depois o CD volta com ares de lançamento, festejado como uma novidade aguardada com ansiedade. Tudo por conta do trabalho de César Camargo Mariano, produtor do álbum e responsável pela nova tiragem. O maestro tratou o CD como se Elis Regina e Tom Jobim tivessem acabado de sair do estúdio. Bola passada para o produtor, os artistas foram viajar, bater um papo, cantar por aí. Para César ficou a doce tarefa de ouvir todas aquelas horas de música e arte produzidas no estúdio e montar o produto final.
Nesses 30 anos entre a primeira edição e a recente muita coisa mudou. Uma pelo menos para melhor: a tecnologia para gravação. E foi isso que motivou César Camargo a destrinchar o material e refazer tudo, exatamente como estava no original. Só que melhor. No DVD áudio o ouvinte tem a nítida impressão de estar no estúdio, ao lado de Elis, perto de Tom enquanto eles gravam a versão definitiva para Águas de março. Interação é isso.
"Peguei o som original e mixei de novo no formato de hoje, com o som de hoje", explicou César em entrevista a Ziriguidum. "Eu e o João Marcelo Bôscoli batalhamos muitos anos para fazer a recuperação desse álbum, que é tão especial e importante na vida de várias pessoas. Esse tape estava guardado há trinta anos, e isso estraga a fita. Só sobrou o master de um CD que foi gravado do disco. Esse trabalho que a gente fez leva muito tempo. Só mixando eu fiquei quatro meses, fora o trabalho anterior de recuperação dos tapes", contou o produtor garantindo que todo o processo foi todo feito em cima do que já estava cristalizado há trinta anos. "Não é remix, não tirei e nem coloquei nada novo. O que estava no original ficou, só que com a qualidade de hoje e a possibilidade da gente perpetuar digitalmente", garantiu.
César ainda deixa uma boa notícia e esperança: "Quero fazer esse trabalho com todos os discos da Elis em que eu participei.", planeja e promete.
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