Gal de volta a São Paulo
Todas as coisas e eu se despediu do Rio

por Alexandre Silper

A cantora Gal Costa fez mais uma temporada do belo espetáculo minimalista onde a voz e a interpretação são os pontos altos. O Canecão voltou a receber Gal e seus inúmeros fãs e personalidades que ainda não tinham visto a nova apresentação da interprete.

Com um repertorio pré-bossa nova, a baiana deu total importância e destaque a sua bela voz. No alto de seus 59 anos, Gal está mais serena e confiante em suas atuações. O cenário e direção de Bia Lessa remete ao universo primaveril passando ao outono com suas folhas caídas em clima de harmonia. Em determinados momentos, principalmente nas horas mais densas do show como na canção Ave Maria do morro, lamparinas descem ao palco dando um belo efeito visual. A direção foca e centraliza em pequenos gestos a interpretação de Gal, sem deixar que o mais importante seja roubado na cena, sua bela voz.

O maior diferencial desse show que a cantora vem apresentando pelo Brasil e algumas capitais do mundo se mostra no roteiro que não traz sucessos que tocaram nas rádios. Foi garimpado do próprio repertório da intérprete musicas como Três da madrugada, de Torquato Neto, e Samba rubro-negro, de Wilson Batista e outras canções que ela nunca gravou. Vai dos autores Custódio Mesquita e Mário Lago com Nada além, Luiz Gonzaga em Imbalança e Assum preto, essa em parceria com Humberto Teixeira. Chega a Assis Valente, Alegria com Durval Maia, Miguel Gustavo, E daí? e Caetano Veloso, Alguém cantando, autor também de outro destaque do repertório, a canção Dama do cassino. Gal igualmente recria Na linha do mar, sucesso de Clara Nunes assinado por Paulinho da Viola. No total, figuram 22 canções.

Em determinados momentos do show e impossível não sentir a presença de Maria Bethânia e a influência que ela gerou com o espetáculo Maricotinha. Principalmente quando Gal canta e homenageia Copacabana no bis. Fica nítido aos olhos que ainda existe a essência dos Doces Bárbaros mesmo que estejam separados com suas carreiras individuais. A direção musical feita por Eduardo Souto Neto se diferencia pela particularidade dada a cada canção. Em Nada Além a baiana só utiliza o contra baixo. A banda é formada por Zé Canuto (sopro e vocais), Marcos Teixeira (violão e guitarra), Bororó (contrabaixo acústico) e Jurim Moreira (bateria).

Para São Paulo, serão apenas mais quatro apresentações, entre os dias 11 e 14 de novembro, no DirecTV Music Hall, a mesma casa onde a cantora estreou a turnê em junho. O show vai voltar reformulado visualmente. A diretora Bia Lessa abriu mão de alguns recursos cênicos - como as folhas secas que cobriam o palco, por exemplo - e investiu mais na iluminação para acentuar os climas do espetáculo. Da concepção original, ficaram apenas as lamparinas, que remetem às cerimônias religiosas nordestinas. Gal continua percorrendo o país até o início de 2005, quando entra em estúdio para gravar pela Trama, simultaneamente, dois discos produzidos por César Camargo Mariano: um de inéditas para o mercado brasileiro e outro com canções de Chet Baker, em inglês, apenas para o mercado internacional.


Gal Costa - Todas as coisas e eu
DirecTV Music Hall
Av. Jamaris, 213 - Moema - São Paulo - SP
Temporada: dias 11, 12, 13 e 14 de novembro
Horários: quinta às 21h30, sexta e sábado, às 22h00, domingo às 20h00

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