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Um Tom Jobim satisfeito e à vontadeBiscoito Fino lança em CD o disco que o maestro mais gostou de gravar por Beto Feitosa
Em 1987, aos 60 anos, depois de ter gravado com as maiores estrelas do mundo e de ter sucessos seus em várias línguas, Tom Jobim finalmente confessou ter feito seu disco favorito. Completamente à vontade no estúdio com sua família musical, o maestro gravou 24 músicas para um projeto especial da Odebrecht que foi distribuído como brinde pela empresa.
O público só viria a conhecer essa jóia em 1995, ano seguinte à morte de Tom Jobim, quando a BMG lançou o título inédito em uma luxuosa caixa em edição limitada e com dois CDs. Só agora o disco, já elevado ao status de patrimônio da humanidade, encontra uma edição mais acessível, reeditado pela Biscoito Fino.
Gravado em um estúdio improvisado em sua casa no Rio, Tom Jobim registrou grandes sucessos acompanhado pela Banda Nova, com a qual já havia gravado dois LPs e viajado com shows pelo Brasil e exterior. Em clima caseiro e familiar, a banda contava com pessoas queridas do maestro como os filhos Paulinho e Elizabeth, a esposa Ana, e os amigos Jacques e Paula Morelenbaum, Simone e Danilo Caymmi, Maucha Adnet, Sebastião Neto e Paulo Braga.
Nesse clima Tom Jobim registrou, pela primeira vez, sua voz em Chega de saudade. Sozinho ao piano canta Eu sei que vou te amar e, com uma orquestra de cordas, uma belíssima versão da valsa Imagina. Sua composição mais famosa, Garota de Ipanema ganha um arranjo grandioso com Tom e Danilo Caymmi dividindo a voz principal com o vocal feminino. Afinadíssimo.
Com a liberdade que um projeto não comercial proporciona, Tom teve total autonomia na hora de definir repertório, arranjos e prazos. O resultado é um trabalho que exala prazer e felicidade. O maestro em sua plenitude.
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