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Samba à luz da vela Compositores paulistas se reúnem para mostrar a obra por Léo Pinheiro
O projeto paulistano Samba da Vela, que lança seu novo CD pelo selo Pôr do Som, é talvez a síntese do parágrafo acima. Iniciado em 2000, foi idealizado por um grupo de sambistas que se reúne em torno do tremular de uma vela nas noites de segunda-feira, em São Paulo, com um único objetivo: não deixar acabar a cultura popular do samba. A vela seria a bandeira de um samba que insiste em não ser extinto, por outras vertentes menos autenticas deste samba. O Samba da Vela, é o típico samba paulistano. Caipira. Conservou-se sua essência. Aplicou-se elementos dos samba urbano, de periferia. Mas a alma, a originalidade e principalmente, a essência estão lá.
Proporcionando espaço para novos compositores apresentarem suas obras, antes de qualquer música ser inserida na lista de canções da noite, ela passa por uma espécie de "vestibular", no qual não é analisada apenas a letra. Outros fatores de extrema importância na avaliação são: a personalidade do sambista, sua atuação no meio e junto a sua comunidade, e a presença e comportamento deste nas reuniões das segundas-feiras. Somente então a composição entra na roda. Mas segundo Chiquinho, sambista do grupo paulistano Demoro - e que freqüenta religiosamente as reuniões -, nunca entra a primeira composição de um "novato". Os responsáveis pelo projeto sempre pedem para que o compositor traga uma segunda letra. De acordo com o sambista, esta é uma forma de avaliar se o compositor é apenas um "aventureiro do samba" ou se tem algo mais a apresentar.
Com apoio cultural de uma empresa do setor alimentício e da prefeitura de São Paulo - que cede o local das reuniões -, o Samba da Vela tem se tornado aos poucos uma das atrações da noite paulistana, chegando a reunir em um espaço exíguo cerca de cem pessoas, sempre às segundas.
A vela é a principal peculiaridade do evento. Ela é acesa sob palmas para iniciar o samba, e ao final da noite, assim que é apagada, as atividades são automaticamente encerradas. Outro fato inovador é a sopa servida a todos no término da apresentação. E entre o acender e o apagar de uma vela, sambas são cantados e poesias são recitadas pelos presentes - desde que aprovadas previamente pelos organizadores do projeto.
A título de curiosidade, ocorre um respeito quase litúrgico ao samba enquanto a vela permanece acesa. Em média, quinze sambas são executados no período de pouco mais de uma hora. A platéia presente em nenhum momento levanta-se para "cair no samba", como também não se presencia no recinto pessoas fumando ou bebendo. O que ocorre no local é a liturgia do samba.
Com letras de extremo bom gosto, nas quais se percebe principalmente a preocupação social do samba, o projeto Samba da Vela é um daqueles exemplos em que a união do governo, iniciativa privada e comunidade, podem sem dúvida apresentar bons frutos. O que vem a se concretizar com o lançamento do CD A Comunidade da Vela, o projeto vem agora mostrar o que é realmente dar espaço para novos sambistas e principalmente: Não deixar o samba acabar.
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