O nobre encontro de Jussara e Luiz
Jussara Silveira e Luiz Brasil se juntam em CD cristalino com voz e violão

por Beto Feitosa

Depois uma década de convívio, parcerias e trabalhos juntos, Jussara Silveira e Luiz Brasil se apresentam como uma cristalina dupla no CD Nobreza. O encontro da voz com o violão transborda intimidade e cumplicidade em um belíssimo recital de música brasileira.

A idéia de registrar o encontro veio durante a turnê que a dupla fez pelo projeto Pixinguinha passando por São Paulo, Rio e Salvador. Tudo acertado, Jussara e Luiz entraram em estúdio em dezembro e gravaram tudo em apenas duas sessões. A parceria musical entre os dois existe desde 1997, quando Luiz Brasil produziu o primeiro CD de Jussara Silveira. Mais um segundo trabalho e incontáveis shows no caminho, a sintonia é verdadeira a transparece nas 13 músicas de Nobreza.

O bem selecionado repertório foge do óbvio até quando visita a obra de medalhões. De Djavan escolheram a faixa título, original de 1982, enquanto na obra de Caetano Veloso pescaram Os passistas, de uma safra mais recente. O samba "volta por cima" Cara limpa, de Paulo Vanzallini e Quem há de dizer, de Lupicínio Rodrigues, já fazem parte de shows da cantora há tempos, enquanto Rosa Maria, de Aníbal Silva e Éden Silva, foi descoberta recentemente em uma gravação dos anos 40.

A primeira faixa a ser gravada foi Um sonho de verão, versão de Nara Leão para Moonlight serenade de Glenn Miller. Encomendada para a trilha sonora da novela Alma gêmea, é tido como o embrião do disco e entrou exatamente como foi gravada, com o mesmo fonograma ouvido na TV.

O disco alterna momentos delicados com outros mais extrovertidos, como é o caso do frevo Pombo correio, de Dodô, Osmar e Moraes Moreira, ou ainda o Baião de quatro toques, peça paulistana cosmopolita de Zé Miguel Wisnik e Luiz Tatit.

As músicas, inteiramente selecionadas pela cantora, trazem duas canções que ela já havia gravado. De seu primeiro trabalho trouxe Eu vou te esquecer, de Beto Pellegrino e Ariston, e Ludo real, de Chico Buarque e Vinícius Cantuária.

O apropriado título do disco revela a elegância e inteligência do projeto. Sem grandes efeitos, contando apenas com o talento dos artistas, revela um encontro cristalino, puríssimo e verdadeiro. Jussara Silveira e Luiz Brasil em uma sintonia rara e bem vinda. Sem cair no tom monótono do banquinho e violão, fizeram um CD belíssimo, variado e bem sacado. Nobre até o fim.


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