O som esquisitão do João Ninguém
Banda de Brasília lança primeiro CD com influência da vanguarda paulista

por Beto Feitosa

A princípio o som do João Ninguém remete direto a escola de Arrigo Barnabé e sua trupe de vanguardistas paulistanos. Mas a banda de Brasília mistura ainda outras informações e ingredientes nas suas músicas. O João Ninguém está lançando seu primeiro CD pelo selo GRV.

Sem seguir fórmulas e aceitar rótulos, o João Ninguém usa a criatividade para fugir do lugar-comum. Na estrada desde os anos 80, a banda ganhou apoio do Fundo de Apoio a Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do Distrito Federal para gravar o primeiro CD. Lançado na capital do país em abril, agora o João Ninguém começa a levar seu som para outras cidades.

Os assuntos das músicas vêm do cotidiano, do dia-a-dia do homem comum, o tal do João Ninguém, personagem assumido. Crítica social bem humorada mostra figuras comuns como o garrafeiro, o contínuo e o carroceiro ambulante.

Mas se o personagem é trivial, a criação foge do banal. A influência da música atonal de Arrigo Barnabé está clara desde a primeira faixa, o meio rock Alfavela. Sem levantar nenhuma bandeira o João Ninguém mistura ingredientes do funk, do samba, do experimentalismo erudito do século XX, do jazz fusion e do que mais aparecer.

Não é uma banda difícil, é apenas diferente. Diverte e instiga. Surpreende recriando o dia-a-dia sem muito compromisso. Falando do cotidiano, o João Ninguém consegue ser diferente de tudo que está por aí.


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