A volta das jovens tardes
Reino Fungi retoma estética da Jovem Guarda

por Beto Feitosa

Atropelada pela anarquia tropicalista, os roquinhos da Jovem Guarda ficaram fossilizados lá no início dos anos 60. Apesar de vários revivals que repetem o repertório da época, ninguém ousou continuar a trajetória e retomar a estética do movimento. A divertida banda catarinense Reino Fungi veste seus terninhos, prepara os bordões e revive as tardes de domingo.

A banda está lançando seu segundo CD, Reino Fungi e o clube do chá dançante. A parceria do selo Allegro com a Distribuidora Independente ajuda a banda a sair do circuito de Joinville, onde já é bastante conhecida.

A personificação é levada a sério, desde o visual das roupinhas até uma divertida fotonovela encartada no CD, claro que passando pelos instrumentos da época. As novas composições são assinadas pelos integrantes da banda como Tiago Lanznaster (guitarra e vocal), Vítor Torres (baixo e vocal), Hugues Torres (bateria). O Reino Fungi também conta com Rômulo Henrique Plank (guitarra e vocal).

Fazer cover nunca esteve nos planos da banda, que tem seu grande barato em criar o som da alegre pré-história do rock brasileiro. As letras parecem saídas do recente Almanaque dedicado ao movimento. Abusam dos "yeahs", rimam amor com calor e buscam pelo broto ideal. Uma brasa, mora!

O som da banda não é indicado para saudosistas. O maior mérito é apresentar novas composições, e o CD traz apenas um clássico da Jovem Guarda: o hit Você não serve pra mim, de Renato Barros e a obscura Não me diga adeus, de Paulo César Barros, que também assina a versão Vivo só. Os dois autores são do grupo Renato e seus Blue Caps.

O Reino Fungi não vive de passado, mas vive de olho no passado. O exercício de criação é válido e saudável. Em plena época das maravilhas eletrônicas, a banda se propõe a resgatar a ingenuidade e o som de décadas atrás. Para se divertir, dançar e curtir um pouco.



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