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A música delicada de Cristina BragaHarpista mostra a voz e as suas composições por Beto Feitosa
Se fosse permitido usar apenas uma palavra para definir o novo CD da harpista Cristina Braga, com certeza delicado seria a melhor opção. Mas olhando melhor para Cortejo vêm ainda coragem e a paixão.
Cristina Braga não precisa provar nada, sua assinatura está em diversos álbuns de artistas populares. Além disso é a primeira harpista nos concertos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas ela não se acomoda e ousa em um ato de amor a arte popular. No disco que está lançando de forma independente, Cristina Braga ainda compõe e canta.
Sua voz é a primeira doce surpresa do disco, correta, colocada e suave. Depois chega a compositora de temas como Quaresma, Diga aonde vai e Sol e chuva. Destaque para a graciosa O beijo, música de Cristina Braga com Maria Teresa Moreira e Ricardo Medeiros, que ganha com a participação do maestro Leandro Braga ao piano. A percussão fora do comum de Marcos Zama surpreende em Nós dois.
Entre as regravações, Cristina traz para seu Cortejo músicas de Luiz Vieira (Prelúdio para ninar gente grande) e cantigas tradicionais, como Nhapopé e Cantilena. A poesia de Vinicius de Moraes aparece em dois momentos: da parceria com Baden Powell em Apelo e com Tom Jobim em O que tinha de ser.
Uma viagem por ritmos brasileiros como jongo, maculelê e folias de reis foi o empurrão principal para esse trabalho solo de Cristina. Se essa escola brasileira não tem nada a ver com harpa, Cristina subverte com candura e muda a história. É popular, é doce e nobre.
Tudo é muito bem decorado por elegantes arranjos, valorizando sempre a harpa da artista. Mesmo nas músicas conhecidas Cristina mostra uma seda diferente, pouco comum aos dias de hoje. Ouvidos viciados em tanto lixo em forma de música podem estranhar. Mas que é um bálsamo artístico, é inegável.
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