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Zuco 103 mostra seu som globalizadoGrupo radicado na Holanda mistura sons brasileiros a sua música eletrônica por Beto Feitosa
Depois de fazer sucesso na Europa com o primeiro CD de 1999, o trio Zuco 103 chega ao segundo trabalho e estréia nas prateleiras brasileiras. Lançado em 2002 pelo selo Ziriguiboom, Tales of high fever chega ao Brasil marcando a estréia do selo Ginga P.
Radicada na Holanda, a banda é formada pela cantora Lílian Vieira, nascida em Teresópolis (cidade serrana do Rio de Janeiro) e pelos músicos Stefan Schmid (teclados e programações) e Sefan Kruger (bateria e programações). Criados na praia do jazz, mergulharam nos ritmos latinos e batidas eletrônicas. O vozeirão da brasileira casou perfeitamente com a proposta da dupla e colocou mais tempero no swing deles. A mistura deu certo e o grupo já soma 200 mil cópias de seus três trabalhos. Os planos para o mercado brasileiro incluem o lançamento do mais recente trabalho, ainda no segundo semestre de 2007.
É música brasileira para gringo dançar? Sim, mas p Zuco 103 quer mostrar que os brasileiros também podem conhecer e curtir essa batucada. As letras passeiam entre o português e o inglês e o grupo traz até uma revisão de Jorge Benjor e sua Bebete vambora.
Mas a grande maioria das composições é da própria lavra da banda. A globalização musical não olha para um Brasil exótico e paradisíaco. Traz uma veia latina e o balanço inconfundível de nossa música. Até um repente ganha vez em Curso de reclamação - lição 1. Impossível não sentir a tradição brasileira ali. O violão e a percussão estão lá e deixam claro de onde vem o som. Entre as 14 faixas do álbum, o Zuco 103 monta esse panorama de maneira particular. É contagiante e agradável, feito pra dançar.
Os planos para o Brasil incluem uma turnê. São três shows, sendo dois no carioca Estrela da Lapa (dias 27 e 28/03) e na Choperia do SESC Pompéia/SP (dia 01/04). Antes de subir ao palco, o grupo agendou para os dias 21 e 22 de março, workshops através do IBISS (Instituto Brasileiro de Inovação em Saúde Social), organização não-governamental patrocinada pela Mundial Productions da Holanda.
O grupo fará workshops com o Movimento na Rua da favela Vila Aliança e o ManoMano de Vigário Geral e ensaios com grupos formados por crianças carentes como o Percu'Som da favela Vila Aliança em Bangu, e o grupo Batuque Batucada da favela Cinco Bocas de Brás de Pina, que foi convidado para se apresentar junto do Zuco 103, no Festival Mundial, na Holanda, em junho deste ano. Para a sua luta contra exclução social o IBISS recebe apoio do Governo Brasileiro, do Estado de Rio de Janeiro e organizações como UNESCO e UNICEF.
Entre o lado social e as pistas de dança do mundo, o Zuco 103 leva a batida brasileira reprocessada para o mundo e globaliza uma música que se torna universal, mas tem suas raízes claras no país tropical.
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