Banda de Boca produz seus próprios sons
Segundo CD do grupo baiano traz vozes no lugar dos instrumentos

por Beto Feitosa

Computadores podem fazer música. Mas a voz humana também é capaz de sons inimagináveis, basta uma dose certa de criatividade. Essa é a proposta da Banda de Boca. Natural de Salvador, terra do axé, cinco jovens cantores harmonizam suas vozes em busca de um som totalmente produzido por suas gargantas. A Banda de Boca chega ao seu segundo CD e amplia o alcance de sua música com distribuição da gravadora Atração Fonográfica.

O primeiro disco do grupo teve sua edição esgotada. Lançada com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia em 2004 tornou-se logo artigo de colecionador. Nesses três anos a banda aprimorou a técnica e apurou os arranjos de suas músicas.

Todos os sons são produzidos pela boca. Os cantores imitam instrumentos em arranjos criativos e animados. Não merece o rótulo de "curioso" ou de "exótico". A proposta é outra, é contemporânea e altamente musical.

Logo de cara mostram ao que vieram em uma releitura de Relampiano, sucesso de Lenine e Moska. O complexo arranjo do maestro Rogério Duprat é lembrado na nova versão de Domingo no parque, composição de Gilberto Gil que pode ser tida como o marco zero da tropicália. Outra lembrança complexa é de Construção, de Chico Buarque. Navegando nessas águas sinuosas da música brasileira, a Banda de Boca mostra efeitos com a voz que não ficam nada a dever a uma grande orquestra, brincando com volumes e momentos de solo.

A mesma coragem faz o grupo cantar um repertório já bem conhecido como Clube da esquina (Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges) e Chovendo na roseira (Tom Jobim), que traz um solo vocal de Poliana que remete ao som do oboé. A ousadia do grupo traz uma cara nova para composições já cantadas com várias cores diferentes. Além de Poliana, o grupo ainda soma os timbres de Fábio Eça, Neto Moura, Arno Júnior e Hiran Monteiro.

Assinando a maioria dos arranjos e a direção musical, Hiran traz também repertório inédito para a Banda de Boca. O cantor compôs a bossa Muito mais, De manhã e Cada olhar. Em Samba da Bahia Hiran estréia parceria com a filha Lara, na época com apenas seis anos. Hoje, aos 8, a menina já participa de concertos recitais, resultado de cinco anos de estudo de piano.

Com um som criativo e alegre a Banda de Boca mostra em seu CD uma música que chama atenção tanto pela forma quanto pela qualidade. Não é acadêmico, é diversão e prazer. Com um trabalho levado a sério e lapidado com muita harmonia.


Banda de Boca - show de lançamento do CD
Terça-feira, dia 12 de junho, às 21h30
Café Piu-Piu
Rua 13 de Maio, 134 - Bixiga - São Paulo
Tel: (11) 3258.8066


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