Hamilton de Holanda grava CD em quartos de hotel
Dispensando os estúdios e seus aparatos tecnológicos, o músico em momento intimista

por Beto Feitosa

A solidão dos quartos de hotel. O músico e seu instrumento em momentos ideais para a criação. É nesse ambiente que Hamilton de Holanda gravou seu novo CD, Íntimo, lançado agora pela Deckcdisc. Intimista e introspectivo, traz o grande músico no que poderia ser seus momentos de descanso.

A tecnologia usada a favor da arte. Se na hora falta um microfone melhor para a captação e um engenheiro de áudio disponível, o clima é favorável para a espontaneidade. E o músico aproveitou os momentos de solidão para gravar seu mais recente trabalho, novo título de uma festejada e variada discografia. "Tive mais contato com o lado humano, naquele momento de solidão, de saudade, de euforia por ter feito um super show no dia anterior", comemora o artista. Usando mais uma vez a tecnologia como aliada, o som trazido na bagagem foi tratado com todo carinho e dribla qualquer possível precariedade na hora da gravação.

Hamilton de Holanda escolheu um repertório que mistura clássicos da música brasileira com composições inéditas. A falta de compromisso com um rigor conceitual deixa o artista ainda mais livre e informal. Tocando o que tem vontade, da maneira que vem na hora, traz releituras para Luiza e Beatriz, gravadas na Guiana Francesa. No mesmo quarto registrou Amor saudade amor, homenagem a sua mulher. "Essa eu apertei o rec, peguei o bandolim e saiu a melodia e harmonia, já prontas", lembra o autor. "Acho uma das mais bonitas que já fiz", comemora Hamilton. A saudade da família também dá em mais uma obra, A César o que é de César, homenagem ao irmão.

É nesse clima informal que o disco nasce. De Paris ele trouxe a gravação de Senhorinha. Já Feitiço da Vila veio na bagagem de Zurique. Já em casa, no Rio de Janeiro, registrou Samba do Soho, pérola menos conhecida de Tom Jobim. Ainda do repertório de Tom Jobim traz Passarim. Visita Dorival Caymmy em O bem do mar e o mestre Cartola em As rosas não falam.

O disco passa bem o clima de solidão, ócio criativo. A intimidade de um músico com seu instrumento em diálogos que se tornam públicos em Íntimo. Hamilton de Holanda se despe de intermediários na hora de registrar sua obra. E se mostra por inteiro, em um diário musical dos mais belos.


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