Com o vibrafone na linha de frete
André Juarez mistura música brasileira, salsa e jazz em CD que tem vibrafone como protagonista

por Beto Feitosa

Maestro, arranjador e vibrafonista, André Juarez lança Canja, seu primeiro trabalho solo, pelo selo Pôr do Som. Um disco estrelando o vibrafone como protagonista não é nada comum. E aí o músico já marca seu primeiro gol, se fazendo especial pelo inusitado. Daí em diante, campeonato ganho com a realização de uma empolgante partida de feras.

O clima é de jazz. Um tempero latino lembra a salsa. O repertório de música brasileira faz todo o sentido desse irresistível molho. André passa descontração e alegria com sua música. Ela é um híbrido dos papos de músicos comuns ao jazz, da alegria dançante da salsa e dos clássicos da música brasileira. Por essa peneira Juarez apresenta novas roupagens para sucessos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Villa-Lobos e Carlos Lyra.

Com uma sensibilidade ímpar, André Juarez mostra novas leituras para canções já tão gravadas como Berimbau e Apanehi-te cavaquinho. Os tropicalistas se fazem presentes com Luz do sol e Expresso 2222. A pré-bossa tem vez em Pra que discutir com madame enquanto Minha namorada é o momento mais intimista, apenas com o vibrafone de André. Pérolas do cancioneiro popular ganham releituras sofisticadas. A boa música é imortal e sempre abre espaço para a recriação.

A carnavalesca Máscara negra freqüenta outros salões, com a gala dos antigos carnavais. Já os novos caminhos do Trenzinho capira rompem barreiras entre o som popular e erudito, mostrando que a música é uma só.

Entre tantos sucessos, uma canção inédita abre o disco. Frank no Maracatu é composição do baixista alemão Frank Herzberg e tinha raízes no boogie woogie americano. Mas André percebeu uma tendência ao brasileiríssimo maracatu e colocou seu dedo na composição.

A única canja vocal fica a cargo de um vigoroso Jair Rodrigues que cantarola a capella a melodia de seu clássico Disparada. Outras participações incrementam o molho de André Juarez como Osvaldinho do Acordeon, Dinho Nascimento, Euclides Marques entre outros.

O som é cativante e popular. Nem por isso deixa de ser original e rico. André Juarez rompe fronteiras entre ritmos e mostra que para a arte não existe terreno demarcado. Fusões e invasões são muito bem vindas. Um vibrafone pode sair da orquestra para a frente do palco e fazer vibrar o ritmo da mais contagiante música brasileira. A mistura deu certo.


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