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O som espacial de Katia BCantora lança CD que aprimora o clima eletrônico do anterior por Beto Feitosa
Katia B segue seu caminho brasileiro eletrônico no novo CD, Espacial, lançado pela MCD. Uma espécie de continuação do anterior, o elogiado Só deixo meu coração na mão de quem pode (2003), o disco é um trabalho de laboratório, criado em estúdio. Totalmente asséptico, traz um resultado interessante nas sonoridades particulares encontradas pela cantora para sua voz doce.
A bossa lounge de Katia tem personalidade. O disco tem faixas produzidas por Chico Neves, Marcos Cunha Plínio Profeta, Jr Tostoi e Ministereo. O elo de ligação é Katia B, sempre acompanhando e guiando o caminho de sua música, concebida em um ambiente todo dela, com a sua cara. É moderno, é instigante. Mas nada que assuste. É perfeitamente palatável, com gostinho de world music. Do Brasil para o mundo e de todos os lugares de volta para o começo.
"Quero ver o que eu encontro depois que passar o ponto que daqui dá pra enxergar", canta Katia emMundo grande, parceria com Suely Mesquita que abre o disco. A frase pode ser uma síntese do trabalho da cantora, que busca novas formas de expressar sua música e de compor seu trabalho. Novos ares para respirar uma música que não tem fórmulas.
Entre as composições inéditas, destaque para Canto de alegria, só dela. Mas também têm interessantes parcerias com Lucas Santanna (Espacial), Cecília Spyer (Até o amanhecer) e até com o multimídia Fausto Fawcett (Dança do ventre da guerra). Foi, aliás, em um polêmico show do cantor que Katia apareceu pela primeira vez. Entre Regininhas e loiras fabricadas, ela se destaca hoje mostrando que está além do adereço-objeto.
Katia entra para uma esperta lista de cantoras que mergulham na obra peculiar de Vitor Ramil. Os dois viajaram juntos em uma das caravanas do Projeto Pixinguinha em 2006. De perto, a cantora escolheu duas músicas do compositor gaúcho para Espacial: Viajei e Destiny, com participação do autor nos vocais.
Mesmo quando mais se aproxima da bossa banquinho+violão em O amor em paz Katia insere percussões e guitarras de outro universo, que não o de Jobim. A cantora reprocessa suas influências e traz para seu mundo musical. O violão volta a fazer par com a voz de Katia na versão acústica, totalmente em nova onda, de Destiny. Mas aí já entramos na seara das faixas-bônus, que traz também um remix de Mundo grande.
Espacial é um passo a frente. Na carreira de Katia, em sua discografia, na música brasileira. Os olhos contemporâneos enxergam além do senso comum. Aí o título cabe como uma luva no CD e no conceito de arte de Katia. Uma música feita com um pé no Brasil e outro no espaço. É pra quem pode. E ela pode.
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