O lado Z de Zeca Baleiro
Compilação traz participações em discos de colegas e projetos

por Beto Feitosa

Zeca Baleiro é de nossos artistas mais criativos e plurais. Isso fica mais uma vez claro em seu novo CD, Lado Z, lançado pelo selo MZA. Nele Zeca compila duetos em discos de colegas e participações em projetos independentes.

Ao contrário das milhares de coletâneas que são despejadas no mercado com os mesmos hits massificados pelas FMs, o foco desse disco é justamente o contrário. Ao invés de requentar mais do mesmo, Lado Z reúne outras faces do artista que originalmente estava espalhado por aí.

Inquieto, Zeca Baleiro tem uma postura que compartilha com Zélia Duncan. Sua necessidade de se expressar vai de encontro a um artista que não enxerga limites em sua obra. Com espírito livre, Zeca compartilha aqui duetos com Lobão, Rolando Boldrim, Tião Carvalho e Martinho da Vila. Tudo faz sentido em sua carreira. Assim como releituras para o repertório de Odair José, Tom Zé, Waldick Soriano e João Bosco.

A pluralidade do disco reflete essa multi-faceta de Zeca Baleiro. Ele está à vontade em sua própria Forró no Malagueta ao lado do Forróçacana ou relendo o repertório de Clara Nunes em Tristeza pé no chão. Zeca Baleiro tem esse trânsito livre em vários campos da música brasileira. Discípulo do tropicalismo, rótulo com ele não tem vez. A qualidade tem mais peso e a vontade de produzir e estar impera.

O CD também abre espaço para revelar uma valiosíssima sobra de estúdio. Menina Jesus, composição de Tom Zé, ficou de fora do rico universo de Pet shop mundo cão, álbum de Baleiro em 2002. Nunca lançado no Brasil, o dueto de Zeca com o cantor português Sérgio Godinho de 2003 também tem valor de inédito. Aparece como faixa-bônus.

O projeto é uma idéia do próprio Zeca com sua empresária Rossana Decelso, que há alguns anos relembrou o passado de cantora gravando um disco com a produção de Zeca antes do sucesso. Mas Lado Z veio para marcar de maneira não convencional, o aniversário de dez anos da carreira discográfica de Zeca Baleiro. Nem vale dizer que marca o início de um novo ciclo, que isso para ele acontece a cada lançamento.

Lado Z não encerra o assunto e nem esgota os extras de Baleiro. Falta, por exemplo, a ótima releitura do cantor para Até o fim, gravado no Songbook Chico Buarque e o dueto com Adriana Maciel em . Pérolas espalhadas ao longo da carreira, material para fãs e colecionadores correrem atrás. Para englobar tudo Lado Z deveria acumular novos volumes. Será?


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