Nova voz no barquinho da bossa
Lucia Richer lança CD com produção de Roberto Menescal

por Beto Feitosa

Lucia Richer é exatamente o tipo de cantora que Roberto Menescal tanto gosta. De afinação corretíssima e voz doce, veste como uma luva as bossas preferidas do mestre. Incansável lançador de novos nomes, Menescal produziu para seu selo Albatroz o CD Fotografia, segundo álbum da cantora.

O repertório segue o mesmo caminho em que Menescal navega com desenvoltura. Seu barquinho musical permeia a bossa englobando mestres de outra praia em sua onda. Assim além de Jobim e do próprio Menescal, aparecem outros mestres como Ivan Lins, Djavan, Bororó e Chico Buarque. E vem até talentos mais jovens como Chico Pinheiro.

Ouvir a bossa na voz de Lucia Richer é um passeio pela história recente da música brasileira de qualidade. Vem desde o clássico Da cor do pecado, passando por Beijo partido para chegar até Lembra de mim, de uma safra mais nova de Ivan Lins.

Nem só de grandes sucessos vive o álbum. Lucia ainda acaricia um repertório menos óbvio de Djavan (Doidice) e uma fruta rara da parceria de Ivan Lins e Celso Viáfora (Rio de maio).

Essa pesquisa tem tudo a ver com a personalidade da cantora. Formada em música, Lucia é proprietária de uma escola em São Paulo. Sua formação passa por um período de dez anos na prestigiada CLAM, escola do Zimbo Trio, e seu currículo traz entre seus mestres nomes como de Elza Nogueira e Tom Zé.

Seu primeiro trabalho deixava claro uma ótima cantora com um conceito de arranjo que não ajudava muito. Seguindo a cartilha de Menescal finalmente Lucia encontrou um parceiro para fazer par a sua belíssima interpretação. Revelada a fotografia, a cantora se mostra com a produção merecida.


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