O lado pop da família Espíndola
Jerry Espíndola lança novo CD com doze músicas inéditas

por Beto Feitosa

Jerry Espíndola traz na assinatura a marca de uma família musical. Irmão de Tetê e Alzira, Jerry é o sotaque mais pop da família e mostra em seu novo disco. Lançamento independente que ganhou distribuição da Tratore, Vértice, traz doze músicas inéditas e uma releitura.

É um disco de sotaques variados. Uma riqueza musical que Jerry acumula em seus vinte anos de carreira. Seu pop é orgânico, baseado em violões e instrumentos acústicos. As letras são afiadas e carregadas de boas sacadas.

Jerry assina as músicas ao lado de parceiros como Adriano Magoo, Márcio de Camillo, Rodrigo Teixeira, Arruda, Chico Pinheiro além dos irmãos Alzira e Sérgio. Mantendo o clima família, a outra irmã, Tetê Espíndola, comparece com Balanço, parceria dela com o marido Arnaldo Black, única regravação do repertório.

O disco abre já transviando, com o Blues em três, que brinca com o ritmo tradicional para mostrar um personagem querendo se encontrar. "Não, não me deixa/Perdido nesse mundo louco/Sem você", diz a letra. A linguagem da informática encontra a poesia em Control C, criação coletiva de Jerry, Alzira e Arruda. "Eu to programado / A me desesperar". A brincadeira entre linguagens volta em Hard, ótima piração de Jerry, Adriano Magoo e Sandro Moreno que mistura sem fronteiras português e inglês em um esperando musical que não vê fronteiras.

Vértice une sotaques e estradas. Do polca-rock, das baladas e das guarânias. Um caldeirão pouco comum temperado por um artista criado no centro-oeste, longe do tradicional eixo Rio-São Paulo. Jerry fez questão de conceber e produzir seu CD em Campo Grande, com músicos locais que trazem as mesmas referências musicais que ele.

As rimas não são as mais óbvias. Assim como Jerry não é um artista fabricado. Com a liberdade conquistada em sua carreira independente, o cantor e compositor, caçula de uma família de músicos, transita em um terreno que flerta com o perigo. Seu pop usa a liberdade para criar, e não para repetir fórmulas. Vértice respira esses ares de quem é livre, pode e sabe voar.


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